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Cleiton Pereira


“Feminicídio político” em Camaçari



Quatro mulheres foram vítimas de “feminicídio político” em Camaçari nos últimos anos. As vítimas, que eram muito conhecidas e “queridas” na cidade, acabaram sendo seduzidas pelo seu algoz, que prometeu mundos e fundos para que caminhassem junto com ele. Mas, o caminho a ser percorrido não foi nada do esperado, pois este homem após conseguir satisfazer suas necessidades com as vítimas, o fora da lei neutralizou e sufocou estas mulheres, que poderiam ter um futuro promissor, sem dar-lhes quaisquer chances de defesa. Mas quem foram estas vítimas? Vejamos!


Drª. Teresa, médica pediatra, carismática e adorada por muitos pais e mães da cidade, tanto da sede quanto da orla, foi a primeira vítima deste enredo político trágico. Ela, que presidia o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no município, foi direcionada para compor uma chapa com o Partido dos Trabalhadores (PT), como candidata a vice-prefeita. O comando do PT foi feito por aquele que se tornaria o prefeito e transformaria a sala de vice-prefeita em um almoxarifado, excluindo a importância do cargo que Drª Teresa ocupava, deixando-a na “rua da amargura", sem nenhuma possibilidade dela ampliar o trabalho que desenvolvia junto as crianças e adolescentes de Camaçari. Esse foi o respeito pós-eleitoral com uma mulher honrada, honesta e trabalhadora? Ou será que foi um “crime” pensado para “matar” politicamente uma mulher que poderia vir a se tornar prefeita?


Outra vítima, cuja sua neutralização foi minuciosamente calculada e sua “morte” foi executada com crueldade, tanto para ela quanto para a população da cidade, foi a [ex-]Guerreira da saúde. Ela mesma! A ex-vereadora e ex-vice-prefeita Carmem. Ela que tinha como sua principal marca popular a luta por uma saúde de qualidade, vinha crescendo na preferência política e no respeito dos munícipes pelo belíssimo trabalho de realizava com o Hospital das Mulheres, localizado no Parque Verde, mas que atendia mulheres da cidade inteira, que vinham atrás de consultas, exames e acolhimento humanizado, que era difícil de encontrar em outros locais. Porém, o que as vésperas de eleições foi um atrativo para indicá-la para uma chapa, tornando-a também vice-prefeita, era uma ameaça constante a hegemonia de seu algoz. Quando o nome de Carmem foi ventilado para postular e ocupar a cadeira de chefe do poder executivo, o plano de “execução” foi colocado em prática. Foi retirada de cena no poder legislativo, vindo a ser a vice-prefeita no pior governo existente no município, que foi a gestão do amigo e “cúmplice” de outrora o Sr. Ademar Delgado.


Ao mesmo tempo que Carmem era “exterminada” da vida política, preocupado com a ascensão de figuras femininas na cidade, o mentiroso manipulador traçou outras duas possíveis rotas para perpetuar seu controle político na cidade. Sua ex-companheira, que por um longo tempo foi uma peça fundamental para seu poder, começou a ser tirada de cena. Eis que surge a terceira vítima. A petista Luiza Maia, foi eleita vereadora em 2004 e reeleita em 2008, direcionada ao comando da Câmara em 2007, permanecendo até 2010 como chefe do poder legislativo, encarregado de fiscalizar e responsabilizar o chefe do executivo, que coincidentemente era o seu marido. Porém, por mais incrível que pareça, apesar das dezenas de processos e condenações judiciais que seu ex-marido tem na justiça desta época, não houve durante seus mandatos de Presidente da Câmara nenhuma abertura de qualquer procedimento para apurar irregularidades. Mas essa “ajudinha” não foi suficiente para gerar gratidão política de seu companheiro de casa e partido. Em 2010 Luiza foi eleita Deputada Estadual e “traída” por seu ex-companheiro conjugal e partidário, que a trocou por um fantoche em 2012, apoiando Ademar Delgado (sem partido) para concorrer ao cargo de Prefeito. Depois disto a separação total foi confirmada, mesmo que permanecendo no mesmo partido, ambos cortaram relações mais próximas.


Em 2016, a sede pelo poder fez o indivíduo entrar em cena mais uma vez, para se aproveitar de mais uma vítima. A bola da vez foi a contadora Manuelina Ferreira, que tinha uma forte ligação com empresários e sem nenhum conhecimento político. Ou seja, além da importância do apoio do partido do Senador Oto Alencar (PSD) como vice, a sua vice não representaria nenhum risco político. Seria apenas uma figurativa para ele. Pois, se fosse algo diferente disto, optaria por outras mulheres com participação política direta na cidade, a exemplo da ex-vereadora de seu partido, há época, Professora Patrícia.


Agora, eis que surge mais uma mulher para ser sua vítima. Entretanto, desta vez, o autor desta trama de violência política contra as mulheres se superou. Indo de encontro a tudo e a todos, ele está forçando a barra e a ordem natural, onde, diante de sua impossibilidade de se candidatar para o cargo de Prefeito em 2020, o mesmo atropelou Luiza Maia e outras mulheres, “empurrando goela a baixo” sua atual companheira conjugal, no intuito de implantar um modelo ‘EAD’ de Governo Municipal. Neste modelo desenvolvido pelo algoz, sua companheira disputando a eleição e, em uma eventual vitória, ele poderá governar do sofá de casa, sem ser responsabilizado por qualquer ato, como os vários praticados há época em que foi o gestor municipal e que resultou em dezenas de condenações na justiça, incluindo a sua inelegibilidade. Hoje, a vítima dele não tem voz, pois é ele quem fala por ela. Amanhã, ela poderá fazer parte da triste estatística, sendo usada, maltratada, humilhada e descartada.


Me recuso a acreditar que as mulheres de Camaçari permitirão ou serão cúmplices deste “crime” e deixará o autor deste fato, mais uma vez, diminuir a figura feminina em proveito próprio. Vamos dar um basta nisso de uma vez por todas.


Cleiton S. Pereira cleitonmpe@hotmail.com  é agente de Trânsito, consultor de trânsito e transporte, com especialização pela UFBA, graduando em segurança pública e  ex-chefe de gabinete da Superintendência de Trânsito e Transporte Público de Camaçari


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor


 
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