Camaçari, o ponto eletrônico para servidor e o vespeiro da política
Município tem histórico de alojar apaniguados que ganham sem trabalhar
Mesmo com redução dos assassinatos Camaçari segue entre as mais violentas
Analógica Quem segue longe da conta da política e gerando movimentos com resultados negativos para o grupo caetanista em Camaçari é a titular da Secretaria da Administração do Município. Primeiro deixou Camaçari, cidade-sede da chinesa BYD no Brasil, fora da tendência mundial dos combustíveis renováveis, ao licitar no ano passado o aluguel de veículos para a frota municipal sem incluir uma cota de elétricos. Agora, a titular da Secad, Fabiana Montenegro, assanha o vespeiro dos que ganham sem trabalhar e seus padrinhos.
Analógica 2 Conhecida por controlar com mão de ferro, a mando do alcaide Luiz Caetano (PT), as contratações de pessoal e serviços das secretarias, a doutora Fabiana faz mais um movimento considerado equivocado. Prepara a instalação de ponto eletrônico para servidores do município.
Analógica 3 Movimento às vésperas das eleições é visto por aliados e até adversários como ´toco eleitoral`, justamente por mexer com a base de governistas e seus apaniguados alojados na máquina municipal. A avaliação é de que, se virar realidade, não será adotado antes do fechamento das urnas de outubro. Mesmo assim o estrago já está feito.
Analógica 4 Corretíssima e necessária para o serviço público, medida publicada no Diário Oficial de 21 de julho chega com atraso. Deveria ter sido adotada no ano passado como sinalizador da ´virada de chave` no serviço municipal da gestão 04 do alcaide Caetano.
Analógica 5 Cobrar marcação de presença sempre foi tabu na gestão de Camaçari. Estudado, anunciado e esquecido nos últimos 12 anos, nos governos Antonio Elinaldo (União) e Ademar Delgado (PT e depois sem partido), quando a gestão municipal ganhou mais exigência por eficiência, o ponto eletrônico sempre foi um grande ´calo` para os alcaides do município.
Analógica 6 Tradição da construção equivocada e clientelista da máquina administrativa de Camaçari vai mais além. Vem desde o período em que experimentava a excepcionalidade da condição de município “área de segurança nacional”, no início dos anos 1970.
Analógica 7 A senha ´primeiro os meus`, até hoje é seguida à risca. Com um orçamento alimentado pelas alta arrecadação de impostos do seu polo industrial e listado entre os mais ricos do país, aleijão permitiu a essa elite que se reveza no poder fazer essas e outras vontades. O resultado são milhões de reais em prejuízos para os cofres municipais com salários, vantagens e outras cositas.
Analógica 8 Estimativas da Coluna mostram que dos cerca de 6 mil do total, algo em torno de 10%, cerca de 600, entre efetivos, comissionados e terceirizados possuem problemas com frequência nos locais onde são lotados para trabalhar. Dentro desse grupo, e de medição ainda mais difícil, justamente pela blindagem desses ´colaboradores` e seus históricos políticos, uma parcela é ainda mais daninha. São os sem mesa, sem sala, e de atuação remota e produção imensurável: os famosos fantasmas.
Analógica 9 Mudar esse quadro exige coragem e vontade política. Mas, aí é outra repartição pública.
Feudos O vereador e candidato a deputado estadual Tagner Cerqueira (PT) levou a melhor na queda de braço com o deputado Junior Muniz. Vai herdar o apoio integral do grupo do professor, vereador licenciado e atual secretário de educação do município, Marcio Neves (PT). Prevaleceu a proposta da deputada federal e candidata a reeleição Ivoneide Caetano (PT), de concentrar no seu pupilo os votos do grupo do educador.
feudos 2 Como registrou o último Camaçarico, que citou as duas alternativas, o entendimento do alcaide, de dividir os votos entre Tagner e Muniz terminou sendo vencido. Não foi decisão fácil. O deputado Junior Muniz segue ´inconformado`, diz uma fonte da Coluna.
Feudos 3 Apesar de contar com o apoio dos companheiros de legenda, os vereadores Dentinho do Sindicato, Neidinha e Paulinho do Som, o petista Muniz perde preciosos apoios. Com a divisão, deve ficar longe dos quase 16 mil votos obtidos na eleição passada em Camaçari. Mesmo com o baque, aparece na lista dos petistas reeleitos para a Assembleia Legislativa.
Feudos 4 Já o vereador Tagner, ainda uma incógnita na lista estadual do partido, amplia sua presença num importante segmento. Com potencial superior a 3 mil votos e capacidade de ampliar esse apoio em cidades vizinhas, graças a capilaridade do seu projeto de educação, os votos do grupo do professor Marcio se somam aos dos colegas de Legislativo kaique Ara, (PT), Ivandel (Sem partido), João Dão e Wagner Bispo (PSB) e Dilson Magalhães (PP).
Calibre Camaçari fechou julho com 5 assassinatos, sendo 4 homens e uma mulher. Segundo levantamento realizado pela Coluna, com base em informações postadas na imprensa local, houve uma pequena queda no número de crimes violentos letais intencionais (CVLIs) em relação a junho, com 6 assassinatos.
Calibre 2 Julho deste ano aparece como o sexto mês do ano com menor número de assassinatos desde 2017. Na conta geral (todos os 12 meses) nos últimos 10 anos julho fica atrás apenas de abril deste ano, com 4 registros.
Calibre 3 Ainda de acordo com levantamento da Coluna, Camaçari registrou nos 7 primeiros meses do ano 52 assassinatos, também o menor número de CLVIs no período desde 2017. Esses números estão sujeitos a alterações com a divulgação dos números oficiais pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA).
Calibre 4 Levantamento do Instituto Fogo Cruzado mostra que o número de tiroteios com mortes e feridos em Camaçari caiu no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. O Instituto contou 53 tiroteios com 36 mortes e 12 feridos. No ano passado o Fogo Cruzado contou no mesmo período 76 tiroteios, 76 mortes e 16 feridos.
Calibre 5 Ainda de acordo com o Fogo Cruzado, Camaçari segue atrás de Salvador, com 473 tiroteios, 338 mortes e 126 baleados. Segundo o estudo sobre a Região Metropolitana de Salvador, mais da metade (56%) dos 656 tiroteios na RMS ocorreram durante ações das forças de segurança. Percentual é maior que os registrados nas regiões metropolitanas do Rio, Belém e Recife.
Calibre 6 Apesar da queda nos números de assassinatos, Camaçari segue entre as mais violentas do país. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Camaçlari sai da lista das 10 mais violentas do país . dados de 2025 mostram que o município ocupa agora a posição 14, com 52,2 mortes violentas intencionais (MVIs) por cada 100 mil habitantes. Em 2024 Camaçari era a número 4 no ranking com taxa 74,8.
Calibre 7 O estudo mostra que mesmo fora da lista geral das 10 cidades mais violentas, Camaçari aparece na posição 14 quando o ranking é dos 338 municípios com população superior a 100 mil habitantes.
João Leite Filho joaoleite01@gmail.com – Editor
3agosto2026 Fechamento: 17h30