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PAULO ORMINDO NO COLUNISTAS: Sentados num barril de pólvora


Paulo Ormindo é arquiteto, professor titular aposentado da UFBA e membro da ALB, IAB e da ABI

Guerra é guerra


Deixei de ver televisão, só passa violência: confronto da polícia com bandidos nas favelas, assaltos a bancos com agências destruídas, bandidos matando ‘delivers’ para ficarem com suas motos, mortes em discussões banais no trânsito, etc.


No plano internacional, conflitos intermináveis nos cinco continentes. Na África guerras no Sudão e na República do Congo com milhões de mortes e conflito menores no Mali, República Centro-africana, Darfur, Líbia e Nigéria. 


Na Europa a guerra entre russos e ucranianos já dura quatro anos. No Oriente Médio a guerra de Gaza, que já matou mais de 75 mil pessoas, continua e duas novas guerras começaram entre Israel e o Hezbollah no Líbano e dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocou efeitos em todo o mundo, não só com o aumento do preço dos combustíveis, como a diminuição da produção de alimentos e aumento da fome, a nova arma de guerra. 


As guerras não provocam só mortes e a destruição de cidades, mas também o deslocamento de milhões de pessoas de suas casas e a violência sexual contra mulheres e menores. O presidente Trump, que pretendia ganhar o Prêmio Nobel da Paz, se vê cada vez mais enrolado com a guerra que criou no Irã e não sabe como sair dela. 


Este cronista, consciente de não ter nenhuma influência sobre os senhores das guerras, tem evitado gastar sua tinta com esses conflitos, mas vem sendo pressionado por amigos e leitores a opinar sobre os mesmos. Guerras que ultrapassam as questões ideológicas e se transformam em barbárie. Assim, para atender aos seus pedidos resolvi fazer esta crônica sobre episódios da II Grande Guerra que vivenciei na minha infância, com o Brasil envolvido na guerra na Itália e os Blimps passando sobre as nossas cabeças. 


Na Polônia a tropa libertadora do nazismo ao invadir o país provocou muitos estragos. Num convento, os soldados russos seduziram muitas freiras e noviças e seus efeitos se sentiram nas semanas seguintes. Isto criou um dilema ético muito complicado para a Madre Superiora, que não teve a mesma bravura da nossa Joana Angélica: autorizar o aborto ou admitir que freiras pudessem ter filhos e criá-los no convento. A saída para esta sinuca de bico foi a ideia genial de uma noviça que convenceu a Superiora a converter o convento em um orfanato e acolher as crianças sem teto que vagavam pelas ruas depois de perderem seus pais. 


Um caso semelhante ouvi contar na Itália, quando fazia meu doutorado. Num convento de Nápoles, em 1943, ocorreu o mesmo com soldados americanos. O capitão daquela companhia incapaz de conter as investidas de seus subordinados procurou a Madre Superiora, uma mulher forte e bela na flor dos seus 30 anos, lamentou não poder controlar seus homens e disse estar ali para assegurar sua integridade. - Não capitão, guerra é guerra!


Paulo Ormindo pauloormindo@gmail.com  é arquiteto, professor titular aposentado da UFBA e membro da Academia de Letras da Bahia, do Instituto dos Arquitetos do Brasil e da Associação Bahiana de Imprensa


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

29julho2026

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