Camaçari está entre os 20 municípios brasileiros que mais perdem com a tarifa adicional de 25% sobre produtos comprados do Brasil, importas pelo governo dos Estados Unidos. Município sede do complexo petroquímico exporta produtos químicos orgânicos para os Estados Unidos e terá perdas de superiorres a US$ 103 milhões, o equivalente a cerca de R$ 560 milhões.
Lista que tem a cidade paulista de Piracicaba como a mais atingida, com prejuízos estimados em US$ 1,2 bilhão, tem ainda outras cidades baianas. Candeias, na Grande Salvador, com prejuíos estimados quase US$ 60 milhões, é responsável por parte das vendas externas de compostos orgânicos industriais e derivados do refino e do Polo Industrial. Mucuri, no Sul do Estado será atingida em US$ 6,5 milhões com celulose em massas e massas químicas de madeira, além de exportações de frutas como o mamão.
Segundo a Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) aproximadamente US$ 273,1 milhões em exportações continuam sujeitos às novas tarifas, o que representa 33,2% das vendas do estado ao mercado norte-americano em 2025. Entre os segmentos mais afetados estão as indústrias de papel e celulose, borracha e plásticos, produtos químicos, além da cadeia produtiva de calçados e couro.
Três segmentos respondem por 89,4% dos US$ 273,1 milhões atingidos. Papel e celulose: US$ 104 milhões, ou 38,1% do valor afetado. O setor de Borracha e produtos plásticos: US$ 78,5 milhões, equivalentes a 28,7%. Os produtos químicos: US$ 61,8 milhões, ou 22,6%. Os demais setores somam US$ 28,8 milhões, correspondentes a 10,6%.
A decisão de taxar em 25% é uma punição, segundo os Estados Unidos, por práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano, como o Pix. A segunda, de 12,5%, que teve início na sexta-feira, 24, dois dias depois da primeira, sob a alegação de punir 60 parceiros comerciais, entre eles o Brasil. Segundo os EUA esses países falharam em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Somadas, as tarifas chegam a 37,5% para uma série de produtos exportados aos americanos.
Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), os principais produtos sujeitos à dupla tributação são madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados, gorduras vegetal e animal e armas. Outras mercadorias, como combustíveis, carnes, café e suco de laranja, ficaram livres das duas taxações.
Lista dos estados mais afetados pelas novas tarifdas é encabeçada por São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.