A nova tarifa adicional de 12,5% sob a justificativa do Brasil produzir bens usando trabalho forçado, além da outra taxação de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros amplia o impacto sobre o agronegócio nacional. De acordo com Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), 32,9% das vendas do agro brasileiro aos EUA serão atingidas simultaneamente pela nova tarifa de 12,5% e pela sobretaxa de 25% anunciada anteriormente, enquanto outros 12,3% dos embarques estarão sujeitos exclusivamente ao novo adicional.
Impacto se reforça com o levantamentio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que estima em 3.985 produtos brasileiros atingidos pelas duas tributações. Medida alcançará US$ 12,4 bilhões, o equivalente a 29,4% de todas as vendas do Brasil aos Estados Unidos.
Mesmo com a tributação, cerca de 53% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos permaneceram isentas das duas medidas. O setor exportou em 2025 cerca de US$ 11 bilhões para os Estados Unidos. Setor emprega cerca de 28 milh~eos de pessoas.
Segundo a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, a taxação extra é diferente da tarifa de 25% . “As listas de exceções dos dois processos não são equivalentes. Produtos que ficaram isentos da tarifa de 25% não foram necessariamente excluídos da medida relacionada ao trabalho forçado”.
Alguns segmentos tendem a sentir impactos mais expressivos por sua elevada dependência do mercado norte-americano. “Cerca de 50% de tudo que o setor de pescados exporta tem como destino o mercado americano. No caso do mel, a participação dos Estados Unidos chega a 84%”, afirmou.
Para a CNA a aplicação de tarifas não contribui para combater o trabalho forçado, justificativa do governo americano para a sobretaxa de 12,5%. “A imposição de tarifas sobre produtos brasileiros não contribui para o combate ao trabalho forçado e acaba penalizando produtores que cumprem rigorosamente a legislação, geram empregos e produzem de forma responsável”. Ainda segundo a dirigente, “a alta competitividade do agro brasileiro não tem relação com qualquer prática ilegal e tampouco prejudica a produção norte-americana”.
A CNA participou de todas as etapas da investigação, apresentou contribuições técnicas e participou das audiências públicas promovidas pelo UST, o reprsentante comervila dos Estados Unidos e responsável pela definição de tarifas.