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Fabiana Franco


A rotineira invisibilidade do dia a dia



Somos metade das habitantes dessa cidade e costumeiramente não somos e ainda não temos representação políticas. Usadas de dois em dois anos como mulas para registro de coligações seguimos o dia a dia dessa cidade tão desigual e desumana. Choramos o genocídio diário de nossa juventude.  Chefas de famílias, assumimos o fardo pesado da auto anulação.   As que ousam romper o status quo recebem rotulações pejorativas de problemáticas, mal amadas, cricris...


Quem são essas Camaçarienses? Onde elas estão? O que elas fazem? Na base social lá estamos nós: Nos comércios, nas feiras livres, nas escolas, nas unidades de saúde...! No Parlamento? Somos ainda inexistentes, há mais de duas legislaturas tão somente uma solitária cadeira! A cidade de Vila de Abrantes quase elegeu mais uma vez a única vereadora- Quase, pois Fafá de Senhorinho entrou como suplente.


Até o banheiro social da Câmara de Vereadores da pra se observar o quanto não somos bem quistas! Nem um espelho pra refletir as marcas do tempo e, quem sabe, até dos lamentos.


Belas, Recatadas e do Lar são as filhas, amantes, esposas e demais silenciadas dos coronéis meras e puras figurantes algumas só servem para pousar nos comerciais de margarina das mídias sociais... Na vida real são serventes, escravas anuladas, oprimidas e reprimidas no mundinho alheio a si mesmo.


Camaçari arrota ter o maior Pólo Petroquímico planejado da America Latina. Uma cidade industrial a qual as Mulheres estão aquém da realidade e da participação no mercado de trabalho e do processo decisório da cidade.


Uma das primeiras ações do atual governo foi à extinção da Secretaria da Mulher. E até o dia de hoje não conseguiu dar uma resposta onde as Mulheres vítimas de violência intrafamiliar podem recorrer? Só pra lembrar que Camaçari está no ranking das cidades com maior índice de violências contra a Mulher. E cadê o Centro de Referencia? A Casa Abrigo? Camaçari é a cidade da Bahia que mais recebe imigrantes de toda parte do mundo. Essas Mulheres que sai das suas terra natal  desembargando na serra pelada nordestina, na eldorado do Carajás Baiana chegando aqui se deparam com realidades e condições diversas: Sozinhas, abandonadas e muitas vezes solitárias não têm ninguém e nem sabem onde buscar ajuda...


Mas, o Legislativo da cidade se preocupou primeiramente em dar a si próprio um significativo aumento  salarial e depois fazer a licitação dos carros para os 21 vereadores com combustível e outras regalias....


Enquanto não se tem a presença do Poder Público na vida das e dos Camaçarienses a violência assustadora tira a qualidade de vida. Uma das heranças malditas dos governos populista que dentre muitas mazelas potencializou o inchaço populacional sem nenhum planejamento. Amargamos a metropolização do mito da “Camaçari terra das oportunidades”, Camaçari foi “meu orgulho meu Amor”, fez de conta que existiam ações de prevenção e assistência às Mulheres o presente mostra mentiras de outrora. E futuro depende da ação corajosa e eficaz do hoje. E é por isso que conclamo ás Camaçarienses para em mais um mês da Mulher analisar a cidade que vivemos e a que queremos. Será que ainda merecemos viver e conviver nessa submissão, na invisibilidade?


Que essa revolta e todo esse debate não dure somente março. E que um dia quem sabe se possa ressurgir um clima esperançoso onde a união por causas comuns seja pautas de lutas e ações.


O Dia Internacional da Mulher somente fará sentido quando for menos comercial e mais racional. Até lá ficaremos sempre alertas.


Fabiana Franco fabianadacruzfranco@gmail.com é Feminista e Empresaria


 
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