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Juan Sterfan


Porque ainda não temos coleta seletiva efetiva em Camaçari?



Prestes a completar 20 anos, a Política Nacional de Resíduos Sólidos pensou em fomentar nas cidades medidas de destinação responsável do que, há muito tempo, deixou de ser chamado de lixo.


Cidades inteligentes estão à nossa frente e fazem a correta destinação dos seus resíduos. Nestas cidades, resíduos orgânicos, metais, plásticos, papéis, dentre outros, possuem a sua destinação adequada e o gestor consegue gerar renda para o município. Lucram o meio ambiente natural, os habitantes e os cofres públicos.


Por aqui, as gestões se passaram e se contentaram com o aterro sanitário, algo melhor que o lixão, mas nada esperado para uma cidade de arrecadação majestosa como a nossa.


Como morador, cidadão camaçariense, gostaria de saber, o que impediu e impede a LIMPEC de implantar em toda a cidade a coleta seletiva integrada? Não faltam cooperativas interessadas!


Ouvi dizer que as empresas proprietárias dos caminhões caçamba que recolhem os entulhos, por exemplo, ganham por tonelada. Assim, quanto maior o peso, maior o lucro para os cofres privados. Seria este o motivo de não haver fomento à coleta seletiva? Também já ouvi dizer: Não implantamos porque as pessoas não são educadas o bastante para obedecer ao plano de coleta. Prefiro não acreditar nas duas possibilidades. Outro dia ouvi dizer que o aterro não tem preparo para tratar de modo seletivo o “lixo” recolhido, e “blá, blá, blá”, se considerarmos a arrecadação de Camaçari.


Acredito que o governo precisa realizar coleta seletiva em toda a cidade, de modo integral, em especial, em parceria com as cooperativas existentes. A população, em pouco tempo, não teria mais como resistir a um sistema eficiente e que só tem vantagens. Na pior das hipóteses, as residências não teriam opção: os resíduos seriam recolhidos em dias específicos para cada espécie, e morador que não obedecesse às regras teria que suportar o ônus de ficar com sua sacola de resíduos na porta de casa. 


Colocaríamos, enfim, um fim nas pocilgas existentes no entorno dos contêineres da Gleba C, por exemplo. Só não pretendo pôr um fim na discussão! A prefeitura de Curitiba, capital do Paraná, é um exemplo que pode e deve inspirar Camaçari. Deixo essa sugestão para consulta: https://coletalixo.curitiba.pr.gov.br/lixo-domestico/r.-santa-m%C3%B4nica/1006/1/12.


Até quando os interesses do meio ambiente serão levados para o aterro?


É um momento importante para reflexão, afinal a cidade tem como vetor de crescimento, JUSTAMENTE, a área lindeira ao aterro sanitário, onde também nasce o Rio Capivara. Caminhões, nascentes, os novos condomínios, a nova Camaçari... Estamos todos seguindo para o “lixo”, literalmente.


Juan Sterfan juan_sterfan@hotmail.com é camaçariense, advogado especialista em Direito Ambiental e Urbanístico, urbanista, arquiteto e membro da Comissão de Meio Ambiente, Mobilidade e Direito Urbanístico da OAB-Camaçari


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor


 
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