A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre (julho/setembro) de 2026, o menor percentual já registrado desde 2012. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), resultado representa recuo em relação aos 5,4% do segundo trimestre e aos 5,6% registrados no mesmo período de 2025.
A população desocupada foi estimada em 5,6 milhões de pessoas, uma redução de 4% na comparação trimestral, o equivalente a 234 mil pessoas a menos. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, a queda foi de 6,9%, com redução de 417 mil pessoas.
Já o número de pessoas ocupadas chegou a 103,6 milhões e representa crescimento de 0,6% em relação ao trimestre anterior, com acréscimo de 581 mil trabalhadores, e de 1,2% em 12 meses, o equivalente a 1,2 milhão de pessoas.
Entre as atividades econômicas, a construção civil apresentou uma das principais altas, com avanço de 2,8% na ocupação em relação ao trimestre anterior. O setor incorporou 210 mil trabalhadores.
O levantamento também registrou recorde no número de empregadores, que chegou a 4,5 milhões. O contingente cresceu 4,3% no trimestre, com mais 184 mil pessoas, e 6,4% em um ano, acréscimo de 272 mil. Para Kratochwill, a expansão desse grupo contribui para a geração de novas vagas.
O setor público também atingiu o maior número de trabalhadores da série, com 13,2 milhões de pessoas. O contingente ficou estável na comparação trimestral e aumentou 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, com 317 mil trabalhadores a mais.
Na educação, houve acréscimo de aproximadamente 45 mil pessoas com carteira assinada, principalmente professores da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio. A administração municipal também contribuiu para o resultado, com cerca de 30 mil contratações em funções como escriturários gerais, analistas de sistemas e recepcionistas.
Por outro lado, algumas categorias de ocupação permaneceram estáveis. O número de empregados no setor privado com carteira assinada, sem considerar trabalhadores domésticos, ficou em 39,4 milhões. Os empregados sem carteira no setor privado somaram 13,7 milhões, enquanto os trabalhadores por conta própria chegaram a 26,1 milhões. O contingente de trabalhadores domésticos foi estimado em 5,4 milhões.
A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13%, praticamente estável em relação aos 12,9% do trimestre anterior. Na comparação anual, houve redução de 0,9 ponto percentual. A população subutilizada foi estimada em 14,8 milhões de pessoas, sem variação significativa no trimestre e com queda de 6,1% em 12 meses.
Já o número de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas chegou a 4,3 milhões, alta de 5,2% no trimestre, com acréscimo de 214 mil pessoas. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, houve recuo de 5,4%, o equivalente a 247 mil trabalhadores.
A população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões de pessoas, mantendo estabilidade na comparação trimestral e registrando alta de 0,8% em um ano. O contingente de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, chegou a 2,5 milhões, o equivalente a 2,2% da força de trabalho. O número cresceu 7,5% no trimestre, com 171 mil pessoas a mais, mas caiu 6,8% na comparação anual.
O rendimento real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 3.790, estável em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve crescimento de 3,6%, o equivalente a R$ 131 a mais. A massa de rendimento real habitual, que corresponde à soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, alcançou R$ 387,5 bilhões, recorde da série histórica. O valor aumentou 1,5% no trimestre, com acréscimo de R$ 5,6 bilhões, e 4,7% em 12 meses, avanço de R$ 17,5 bilhões.
A Pnad Contínua é realizada em 211 mil domicílios por trimestre, em 26 estados e no Distrito Federal, com uma equipe de cerca de 2 mil entrevistadores distribuídos por mais de 500 agências do IBGE.