A conta de energia de novembro segue com "bandeira verde" pelo segundo mês consecutivo. Apesar da estabilidade na tarifa, a Aneel projeta alta média de 9,4% até dezembro, quase o dobro da ibnflação medida pelo IPCA estimado em 5% com os outros custos incorporados à conta de luz. A manutenção da bandeira verde em dezembro é o cenário mais provável diante das projeções atuais, desde que as afluências se confirmem e os custos de geração permaneçam moderados.
De janeiro a abril deste ano, a bandeira tarifária permaneceu verde, refletindo as condições favoráveis de geração. Em maio, foi acionada a bandeira amarela e essa situação permaneceu até setembro.
Os reajustes seguem o calendário de cada distribuidora. Na projeção nacional da Aneel, componentes financeiros respondem por 4,7 pontos percentuais da alta: são ajustes de custos e receitas de períodos anteriores que chegam agora às tarifas. Encargos setoriais contribuem com 1,6 ponto e a compra de energia, com 1,1.
O quadro hidrológico favorece a decisão. No Sudeste/Centro-Oeste, região responsável por cerca de 70% da capacidade de armazenamento hidrelétrico do país, a energia armazenada estava em 54,9% em 30 de outubro, ante 44,3% no encerramento do mesmo mês de 2025. A Aneel atribuiu a bandeira verde ao aumento das chuvas nas regiões das principais usinas e à menor necessidade de geração termelétrica mais cara.
Para novembro, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) projeta armazenamento de 59,8% no Sudeste/Centro-Oeste. A ENA (Energia Natural Afluente), indicador do potencial de geração associado às vazões naturais dos rios, deve atingir 145% da média histórica nessa região e 201% no Sul. No Nordeste e no Norte, as previsões são de 50% e 39%, respectivamente. Esses contrastes mostram onde a recuperação tende a ganhar força e onde o aporte hídrico permanece inferior ao normal.
O El Niño pode acentuar essa geografia desigual. Para novembro, o Inmet prevê chuvas acima da média no Sul e em áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, com precipitações abaixo do normal em áreas de Minas Gerais e distribuição irregular no estado.
No trimestre de novembro a janeiro, a perspectiva é favorável a chuvas acima da média também em partes do Sudeste e do Centro-Oeste, enquanto grande parte do Norte e áreas do Nordeste tendem a receber menos água. A resposta dos reservatórios dependerá das chuvas nas respectivas bacias, e não de uma média nacional.
Bandeira verde (condições favoráveis de geração de energia) – sem custo extra
Bandeira amarela (condições menos favoráveis) – R$ 18,85 por MWh (megawatt-hora) utilizado (ou R$ 1,88 a cada 100kWh)
Bandeira vermelha patamar 1 (condições desfavoráveis) – R$ 44,63 por MWh utilizado (ou R$ 4,46 a cada 100 kWh)
Bandeira vermelha patamar 2 (condições muito desfavoráveis) – R$ 78,77 por MWh utilizado (ou R$ 7,87 a cada 100 kWh).