Não me posicionei por um partido. Me posicionei pela democracia
Eu havia decidido não me posicionar nesta eleição presidencial. Mas existem momentos na história em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a representar omissão. No dia 25 de outubro, voltei a vestir a camisa vermelha, fui às ruas, conversei com pessoas e trabalhei para mudar votos. Entendi que aquele momento exigia uma posição clara, consciente e efetiva. E fiz a minha escolha: votei 13, votei Lula.
O Brasil sempre conviveu com forças políticas de direita e de esquerda. Ambas possuem contribuições históricas, contradições e a responsabilidade de apresentar caminhos para o futuro do país. Fui formado politicamente na esquerda, mas passei um período preservando minha independência, justamente por não encontrar clareza suficiente nos projetos apresentados. Entretanto, o surgimento e a consolidação do bolsonarismo me fizeram compreender que estávamos diante de algo que ultrapassava as divergências políticas tradicionais.
Na minha avaliação, o bolsonarismo ocupou o vazio de direção deixado pela própria direita brasileira e transformou o ressentimento, a intolerância e o ódio em instrumentos de mobilização política. Vejo nesse movimento características do fascismo, apresentadas sob uma roupagem contemporânea, frequentemente disfarçada de patriotismo. O culto à personalidade, a hostilidade às instituições, o desprezo pelas minorias e a submissão a interesses estrangeiros revelam uma concepção de poder que considero incompatível com os valores democráticos.
O segundo turno tornou essa distinção ainda mais evidente para mim. O comportamento dos candidatos, suas respostas aos problemas nacionais e a relação de seus movimentos com a violência política ajudaram a revelar o que estava em disputa. Sempre defendi que comportamento é a comunicação mais alta. E, na política, aquilo que se faz comunica muito mais do que aquilo que se promete. Foi nesse contexto que reafirmei minhas convicções: sou antibolsonarista, sou antifascista e não abro mão da democracia.
Isso não significa que a eleição de Lula resolva os problemas brasileiros. Precisamos de responsabilidade fiscal, educação de qualidade, geração de empregos e políticas efetivas de desenvolvimento. Como empreendedor, defendo atenção especial aos micro, pequenos e médios empresários. Como alguém que conhece a importância do esporte na formação humana, também defendo investimentos permanentes nos atletas e na cultura esportiva. Apoiar Lula não significa oferecer um cheque em branco. Significa defender a democracia e assumir a responsabilidade de cobrar resultados.
Essa decisão também representa um reencontro com a minha própria história. Sou jornalista, fui eleito em 2012 o vereador mais jovem de Camaçari e sempre compreendi a política como instrumento de transformação social. Hoje, com mais experiência e convicções amadurecidas, reafirmo meu compromisso com a minha cidade. Em 2028, estarei novamente na disputa por uma vaga na Câmara Municipal de Camaçari, defendendo a educação, o empreendedorismo, o esporte, as liberdades individuais e o fortalecimento das instituições democráticas.
A eleição terminou, mas a responsabilidade de defender a democracia continua. Não precisamos de uma sociedade que pense da mesma maneira, mas de um país onde seja possível discordar sem transformar adversários em inimigos. Não confundo direita com fascismo, divergência com ameaça ou liberdade com licença para o autoritarismo. Minha posição não nasce do ódio, mas da consciência histórica e do compromisso com o futuro. Porque a democracia admite adversários, exige coragem e não pode se ajoelhar diante de tiranos. E, quando a liberdade estiver ameaçada, não contem com o meu silêncio.
Otaviano Maia otaviano.maia@gmail.com Instagram: @otaviano_maia é jornalista, pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo pela UniJorge, ex-vereador de Camaçari
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28outubro2026