Busca:

  Notícia
 
CHICO RIBEIRO NO COLUNISTAS: Adeus lauda e máquina de escrever


Chico Ribeiro Neto é jornalista

saudadepontodoc

A Redação de A Tarde está informatizada. As últimas editorias estão deixando as máquinas de escrever e assumindo os computadores. Está todo mundo deletando e "pontodocando".


A informatização exigiu uma semana de treinamento para repórteres e editores. A técnica é facilmente assimilada - o teclado é, no fundo, uma máquina de escrever adaptada -, mas a cara dos colegas no primeiro dia era muito engraçada. Todos queriam fazer uma gracinha, mas a cara estava tremendo. Somente coisa de primeiro dia, pois no segundo todos já estavam metidos a bamba.


Difícil acreditar que o papel está acabando. Gostoso mesmo era arrancar a lauda da máquina quando a gente escrevia a última linha da matéria. Quando comecei em jornal fui fazer isso a primeira vez e a lauda rasgou ao meio. Demorei um pouco pra entrar em forma e fazer aquele zap pra lauda sair inteira.Dizem que tinha um redator, em Porto Alegre, que, quando informatizaram o jornal, só sentava no computador com um pacote de laudas ao lado. Quando errava na tela, amassava uma lauda e jogava na cesta.


O que será das máquinas de escrever da Redação? Alfredo Castro me fez a pergunta que eu não soube responder, mas que elas levam muitas histórias, levam. Algumas já estavam até cansadas de tanta notícia. De manhã, cuidavam de escrever sobre cultura, de tarde notícias da cidade e de noite reportagens policiais.


Outras máquinas pareciam cochilar  junto com a gente, nos intermináveis plantões da Guerra do Golfo, da agonia de Tancredo Neves e do sequestro feito por Leonardo Pareja.


As velhas máquinas podem ir parar, talvez, num escritório de contabilidade da Avenida Sete e, quem sabe, uma delas não sirva para que o contínuo bata sua primeira carta de amor datilografada?


Cada um marcava sua máquina de escrever preferida. Antônio José, por exemplo, tinha uma Olivetti azul que ai de quem estivesse com ela às 18 horas, quando ele chegava. Outros arranhavam o nome na máquina, colavam durex, escondiam, faziam o diabo para ter a preferida ao lado.Hoje, na Redação informatizada, o computador é de todo mundo. Bateu a senha, entrou e ele ainda lhe dá bom-dia. Democrático, esse rapaz.


E o barulho? O tic-tac das máquinas acabou e na Redação informatizada não  precisa mais falar alto, mania de todo jornalista. O silêncio é tão grande que não se pode mais nem contar segredo - afinal,  já existe o correio eletrônico.


A notícia continua nos acompanhando, mas a gente tem o direito de sentir saudade.  (Crônica publicada no jornal A Tarde em 26/12/1996)


Chico Ribeiro Neto chicoribe@gmail.com nasceu em Ipiaú (BA) é jornalista profissional, começou na Tribuna da Bahia. Trabalhou na sucursal da Revista Manchete em Salvador e na sucursal do Jornal do Brasil em Porto Alegre. No jornal A Tarde foi editor de Economia, chefe de Reportagem e secretário de Redação


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

11outubro2026

Mais Notícias

Volume de serviços prestados na Bahia volta a cair mas segue em alta no ano
WALDECK ORNÉLAS NO COLUNISTAS: Com sobra para dar e vender
Áreas de pastagens e mineração aumentam nos últimos 40 anos na Amazônia
FERNANDO BORBA NO COLUNISTAS: O compromisso de todos com o meio ambiente
Número de chaves Pix cadastradas ultrapassou 1 bilhão em setembro
LUIZ CARLOS AZEDO NO COLUNISTAS: A disputa nas redes e nas ruas
COLUNA CAMAÇARICO
CHICO RIBEIRO NO COLUNISTAS: Adeus lauda e máquina de escrever
Camaçari é o município do Nordeste com mais praias com o selo internacional Bandeira Azul
Inflação de setembro na Região Metropolitana de Salvador é a mais alta desde 2021


inicio   |   quem somos   |   gente   |   cordel   |   política e políticos   |   entrevista   |   eventos & agenda cultural   |   colunistas   |   fale conosco

©2026 Todos Direitos Reservados - Camaçari Agora - Desenvolvimento: EL