Os ´comícios andantes` fazem a diferença na reta final da campanha política em Camaçari
O julgamento do vereador agressor e a contradição dos discursos de conveniência
Palanques Em ano de voto na urna, e aos 45 minutos do segundo tempo sem prorrogação, a disputa eleitoral em Camaçari tem formato diferenciado. Com um amplo calendário de desfiles cívicos em setembro, município tem o último mês de caça ao voto do eleitor com nada menos 5 ´comícios andantes`.
Palanques 2 Não dá para aplicar outra definição aos desfiles que acontecem nos próximos 30 dias em todo o município. Começa com o 7 de Setembro pela manhã no bairro Gleba-E, na sede. À tarde, no distrito de Parafuso, mais festa da Independência com candidatos e seus apoiadores dominando a cena.
Palanque 3 Acostumada com o debate político em todos os espaços e sem medidas, apresentações de escolas, grupos culturais e das famosas fanfarras de Camaçari viram coadjuvante nessas festas de pura disputa de poder.
Palanques 4 A fórmula das camisetas, peças alegóricas e outros engenhos com ampla repercussão nas redes sociais se repete no dia 13, com mais desfiles cívicos, dessa vez em homenagem aos 268 anos de emancipação do município. Pela manhã a movimentação ocupa Monte Gordo, orla norte.
Palanques 5 A histórica Vila de Abrantes, no outro extremo da costa de Camaçari, primeiro povoado e origem do município, em 1558, repete a fórmula do palanque dos políticos e seus grupos.
Palanques 6 Distantes de temas e do conhecimento sobre os mais de 400 anos de história de Vila de Abrantes, até as lutas pela Independência do Brasil que se consolidou na Bahia, em 1823, estudantada da região só desfila. Mais uma vez, como em todo o município, engrossa o coro e forma o cenário para a representação dos grupos partidários e suas militâncias.
Palanques 7 Auge desse momento da campanha eleitoral acontece no dia 28, com o grande desfile na sede do município. A exatos 4 dias das eleições, festa na avenida 28 de Setembro deve bater todos os recordes de público e presenças de autoridades. Segundo apurou a Coluna, as grandes estrelas da disputa para governador: Jerônimo Rodrigues (PT), que busca a reeleição; e o ex-alcaide de Salvador, ACM Neto (União), são aguardadas.
Simbólico O julgamento do vereador Dentinho do Sindicato (PT), pelos crimes de “violência política de gênero” e “importunação sexual”, contra a vereadora Professora Angelica (PP), segue longe de decisão final no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Simbólico 2 Depois do pedido de vistas do processo, pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques, na sessão da última quinta-feira (27), julgamento deve prosseguir provavelmente nesta semana. Resultado final ainda depende do final do julgamento, da publicação da sentença e dos pedidos de contestação, os famosos embargos.
Simbólico 3 O Placar do TSE, já com maioria de 5X1 pela manutenção da condenação pedida pelo Ministério Público Eleitoral e aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE) é complicador e inviabiliza o futuro político de Dentinho, reconhecem fontes ouvidas pela Coluna.
Simbólico 4 A agressão, que se transformou no primeiro caso de violência política de gênero na Bahia, reconhecida pela Justiça, aconteceu em junho de 2022, no plenário da Câmara de Vereadores de Camaçari. O vereador foi condenado pela Justiça de Camaçari, teve a punição confirmada pelo TRE-BA e recorreu ao TSE da condenação a até 5 anos de prisão e multa pelos crimes.
Simbólico 5 Apesar da singularidade e gravidade do caso, a atitude do vereador petista terminou sendo protegida pela conveniência da política. Mesmo integrante da base oposicionista e em minoria no Legislativo, Dentinho não recebeu nenhuma punição.
Simbólico 6 Na época a Câmara era presidida pelo vereador e elinaldista juramentado Ednaldo Junior Borges (União). Derrotado nas urnas de 2024, Borges mudou de lado e hoje ocupa o cargo de presidente da Limpec e chefe do aterro sanitário municipal na gestão 04 do alcaide Luiz Caetano (PT).
Simbólico 7 A omissão no caso da agressão à vereadora, hoje sem mandato e disputando uma cadeira na Câmara Federal pelo PP, prosseguiu com o presidente do biênio seguinte (2023/2024), Flávio Matos, também do União.
Simbólico 8 Mesmo sem apoios, dentro e fora do governo, a vereadora terminou virando vice na chapa governista à prefeitura, encabeçada pelo mesmo Flavio. Ignorada na sua luta por justiça, iniciada um ano antes, a Professora Angelica passou a ser festejada na disputa de 2024 como símbolo do empoderamento da mulher na política.
Simbólico 9 No jogo da conveniência política e do total descompromisso com o debate real, agressão à vereadora também não recebeu o tratamento esperado da deputada federal e candidata a reeleição Ivoneide Caetano (PT). Assim como outras com histórico de luta em defesa das mulheres, como a ex-deputada Luiza Maia, a parlamentar no exercício do mandato e conhecida pelo discurso antiviolência preferiu o silêncio a condenar o aliado e companheiro de partido.
Simbólico 10 Caso expõe de forma clara as dúvidas sobre violência contra a mulher e os valores que mudam de acordo com o jogo da política.
João Leite Filho joaoleite01@gmail.com – Editor
31agosto2026 Fechamento: 17h30