Isso é coisa de velho!
Velho aprende a perdoar.
Esconde feridas
E descobre armadilhas.
Aprende a falar manso
Sabe o valor do descanso
E a vida é um remanso.
Velho aprende o detalhe:
A mosca no pão
A formiga no arroz
E o que vem depois.
Velho sabe em silêncio
Murmura poesia.
Pra que tanta agonia?
O velho não olha, espia.
(O escritor Albert Camus disse que "o pior de ser velho é não ser ouvido").
Velho é chato
Com pequenas coisas que somem:
O parafuso do sofá
O botão do liquidificador
A tesourinha e o coador.
Sumiu um pé de meia:
Velho não xinga, aperreia.
Não mexa no guarda-roupa do velho. Tá desarrumado, mas ele sabe onde está cada peça.
Quando viaja, o velho reclama
Sente saudade da sua cama.
Velho dorme depois do Jornal Nacional.
Velho é o mundo. Eu tô aqui é passando tempo.
Velho é ranzinza.
Às vezes, terno.
Velho devia ser eterno.
Chico Ribeiro Neto chicoribe@gmail.com nasceu em Ipiaú (BA) é jornalista profissional, começou na Tribuna da Bahia. Trabalhou na sucursal da Revista Manchete em Salvador e na sucursal do Jornal do Brasil em Porto Alegre. No jornal A Tarde foi editor de Economia, chefe de Reportagem e secretário de Redação
Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor
9agosto2026