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ADELMO BORGES NO COLUNISTAS: O simbólico caso Bispo da Cultura e a política


Adelmo Borges dos Santos

Competência, carisma e charme


Diante das últimas ocorrências de manifesto de insatisfação decorrente de isolamento e restrição de espaço político que definiram o afastamento de companheiros e abnegados que, também, foram responsáveis pela difícil e apertada vitória em 2022, cujo impacto pode atingir a credibilidade e popularidade do governo, a postura de omissão do Partido dos Trabalhadores – PT e coligados, causar expectativa na sociedade, procurei o cientista Heráclito Monteiro para que, à luz da ciência social e política comentasse sobre o assunto, quando fui surpreendido pelo detalhamento que perpassa a “competência, carisma e charme. Isso mesmo.  


No serviço público, a combinação de competência, carisma e charme vai muito além da superficialidade. Ela dita o sucesso de lideranças, a eficácia na implementação de políticas e a qualidade do atendimento ao cidadão. Enquanto a iniciativa privada costuma focar essas qualidades no lucro ou no marketing pessoal, no setor público elas ganham uma dimensão de interesse coletivo, mediação de conflitos e construção de consenso se manifestando como um triângulo, ferramenta para o equilíbrio do ambiente estatal. Continua o professor Heráclito citando diversos trabalhos publicados por outros estudiosos sobre o tema. 


A competência é o alicerce. Sem ela, o carisma vira demagogia e o charme perde a substância. A competência técnica busca o domínio das leis, dos editais, do funcionamento da estrutura governamental, das diretrizes orçamentárias, dos processos administrativos e dos programas nacionais e estaduais abrangentes (SUS, Plano Nacional da Educação, habitação, proteção às crianças e adolescentes, idosos, fontes de financiamento, incentivos fiscais assim como piso salarial por categorias). 


É o que garante que uma política pública seja legal, viável e eficiente. A competência burocrática e resiliência incide em saber navegar pelos ritos do Estado, lidar com a escassez de recursos e garantir a continuidade do serviço, independentemente de mudanças na gestão política.


O carisma é a liderança que inspira e conecta que não deve ser confundido com populismo. Trata-se da capacidade de inspirar, mobilizar equipes e gerar empatia instantânea com a equipe e comunidade. A gestão pública é feita por equipes diversas e, muitas vezes, sob forte pressão. O líder carismático consegue alinhar propósitos, motivar servidores desanimados e reduzir o absenteísmo pelo exemplo e pela palavra. 


Para quem atua diretamente com a comunidade (como na saúde coletiva, educação, assistência social, emprego e renda, habitação e manutenção urbana), o carisma quebra barreiras. Ele transforma a figura fria do "Estado" em um agente acolhedor e humano, facilitando a adesão da população a programas e campanhas. O carisma gera engajamento e pertencimento, transformando a obrigação do trabalho em um propósito compartilhado.


A linha fina da diplomacia e influência compartilhando com carisma é o charme. Se o carisma é a força que atrai as massas ou grandes grupos, o charme é o instrumento da sutileza, da diplomacia e do relacionamento interpessoal. 


No serviço público, as decisões passam por conselhos municipais, negociações entre secretarias e diálogo com o poder legislativo. O charme, traduzido em boa oratória, escuta ativa, elegância no trato e tato político desarma resistências e facilita consensos difíceis. 


Saber se comunicar de maneira fácil e clara e em uma linguagem atraente e compreensível para o cidadão comum é uma forma refinada de charme institucional que atua como um lubrificante social, diminuindo o atrito político e abrindo portas para parcerias.


Assim o sucesso no serviço público exige a dosagem certa desses três elementos. O desequilíbrio deles pode gerar conflitos perigosos com consequências profundas. 


Que Deus e os Orixás nos protejam


Adelmo Borges dos Santos adelmook@gmail.com   


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

18julho2026

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