População paga a conta pelo atraso na Policlínica de Camaçari
Equipamento previsto para ser inaugurado em 2025 vira ringue para caetanistas e elinaldistas
A Sedes e o festejo do descaso com a Casa da Criança de Camaçari
Retrato A “novela” que virou a Policlínica de Camaçari segue com novos capítulos e movimentos surpreendentes e fora do que seria a lógica original do roteiro. O mais novo ato dessa trama é a decisão do alcaide Luiz Caetano (PT) de botar para funcionar a unidade sem o aval legal da Câmara de Vereadores. Legislativo precisa aprovar o contrato de gestão do equipamento entre o Município e o Governo do Estado.
Retrato 2 Como mostrou a Coluna de 25 de maio, o contrato original assegurava a subtração de receitas do ICMS do município como pagamento da compensação das obrigações municipais pactuadas com o Consórcio.
Retrato 3 O Camaçarico também alertou para o comprometimento da autonomia do município, que contraria o SUS com sua política de ampliação do poder de gestão local. Documento, como foi enviado no começo de maio ao Legislativo, dá poderes à Secretaria de Saúde do Estado (SESAB) para contratar pessoal e até interferir em outras estruturas da saúde do município.
Retrato 4 Descuido na construção do contrato terminou dando munição aos antigovernistas, com maioria dos 23 votos da Casa. Segundo apurou a Coluna, as modificações discutidas entre a Sesab, município e vereadores já estão no Legislativo.
Retrato 5 Desgaste que parecia resolvido com a revisão dos termos do contrato, evoluíram para novas cobranças da base oposicionista. Laudos de segurança e outros penduricalhos sugeridos pelos vereadores antigovernistas sinalizam mais atraso.
Retrato 6 Só após a aprovação das comissões de finanças e saúde o contrato vai para votação em plenário. Com o recesso de meio de ano, Legislativo tem três sessões até dia 30, com o intervalo da próxima semana (São João). Sem esse período normal, a votação e aprovação vai precisar de sessões extraordinárias.
Retrato 7 No receituário da política, inaugurar com parte dos serviços da Policlínica, como vem admitindo o alcaide, é melhor que nada, ainda mais em ano eleitoral.
Retrato 8 Pressionada por resultados positivos, a gestão 04 do petista precisa fazer entregas para a população, sem esquecer o benefício direto ao governador Jerônimo Rodrigues, seu candidato a reeleição. Daí a pressa de Caetano entregar a Policlínica até o dia 3 de julho, data limite da Lei Eleitoral para a presença de políticos que vão disputar o pleito de outubro.
Retrato 9 Beneficiário direto e muito mais carente desse resultado positivo que o também companheiro de partido, o presidente Lula, em outro patamar de aceitação no município, Jerônimo e sua Sesab têm total culpa nesse atraso. Afinal, as obras e a montagem de toda a estrutura são de responsabilidade do estado. Prometida para setembro, Policlínica completa 9 meses de atraso no final de junho.
Retrato 10 Nesse pacote de beneficiários diretos também estão a federal e candidata a reeleição Ivoneide Caetano, e seus candidatos a estadual, com destaque para o vereador Tanger, anda mais carente do voto nativo.
Retrato 11 Mas, a Policlínica exibe um quadro muito mais complexo. É aí que entram as ações quase invisíveis, mas fundamentais para o andamento do roteiro e seu resultado positivo, no caso o atendimento da população, já a partir de julho, portanto antes das eleições.
Retrato 12 Sem contrato formal entre prefeitura e estado, de quem será a responsabilidade pela montagem da estrutura de pessoal? O estado cede provisoriamente médicos e técnicos? A prefeitura desloca parte do pessoal da atual Policlínica, localizada na avenida 28 de Setembro, desfalcando assim um serviço que já enfrenta dificuldades?
Retrato 13 As dúvidas não são poucas. O município vai recorrer às OS (organizações socais), que hoje respondem por parte do pessoal em atuação nas unidades de saúde do município? Essas terceirizadas ampliariam seus contratos com aumento de pessoal para suprir as necessidades da Policlínica? E os custos extras para os cofres públicos gerados por essa situação emergencial?
Retrato 14 Do outro lado e também priorizando a receita da política, a Câmara de Vereadores, com sua demora, ineficiência, como mostrou a Coluna, com o alerta sobre as cláusulas do contrato, nocivas ao município, ajuda a piorar o quadro.
Retrato 15 Ao acirrar por mera estratégia eleitoral, cai no mesmo pecado do governo municipal que tenta atropelar uma situação que deveria ter sido resolvida com menos prejuízo para a população.
Retrato 16 Camaçari tem orçamento e peso político. É território referência mundial na produção industrial. Com esse tamanho não pode ter um serviço público tocado na base do improviso apenas para atender interesses eleitorais.
Fake A Secretaria do Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedes) segue se superando. A última da pasta comandada pela ´imexível` doutora Jeane Gleide é a festa de encerramento das atividades do semestre da Casa da Criança e do Adolescente, na manhã desta terça-feira (16).
Fake 2 Equipamento, como vem denunciando a Coluna, está praticamente fechado, com a demissão dos educadores desde o final do ano passado. Num arranjo nada responsável e distante da política pública definida e bancada com recursos do SUAS (sistema único da assistência social) a Casa da Criança segue funcionando apenas com “oficinas”.
Fake 3 Infelizmente, a Sedes trata essas atividades precárias como se fossem suficientes e se equiparassem às ações desse importante e fundamental serviço de convivência e fortalecimento de vínculos.
Fake 4 Estrutura, em proposital e acelerado declínio, chegou a atender cerca de 500 jovens por semestre, com cursos de artes plásticas, capoeira, dança e música, complementada com o apoio psicossocial a alunos e seus responsáveis.
Fake 5 Com foco diferenciado, a Casa da Criança e do Adolescente de Camaçari tem em boa parte do seu público justamente quem maios precisa. São jovens em situação de vulnerabilidade social, incluindo aí nesse grupo uma significativa parcela de alunos especiais.
João Leite Filho joaoleite01@gmail.com – Editor
15junho2026 Fechamento: 17h35