O limite de Jerônimo não é político. É de liderança
Na Bahia, o desgaste de um ciclo encontra um problema que o marketing não consegue resolver
Campanhas políticas conseguem resolver muita coisa. Ajustam discurso. Reposiciona imagem. Organizam narrativa. Mas existe um ponto em que nada disso é suficiente. Quando falta liderança.
Jerônimo Rodrigues chegou ao governo com força política. Não exatamente a sua própria, mas a de um projeto consolidado. Mais de vinte anos de hegemonia do PT na Bahia. E, principalmente, o peso eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele momento, isso bastava.
Mas governar cobra outro tipo de entrega. Não basta estar no cargo. É preciso ocupar o espaço político que o cargo exige. E é aqui que começa o problema.
Ao longo do mandato, Jerônimo não conseguiu se afirmar como liderança. Não construiu uma identidade clara. Não estabeleceu uma marca política própria. Não se tornou referência dentro do próprio campo. Permanece, em grande medida, como continuidade. Não como protagonismo. E isso cobra um preço. Porque, em determinado momento, o eleitor deixa de votar no grupo e passa a olhar para quem lidera o grupo.
Durante anos, essa equação foi resolvida por Lula. Sua presença política organizava a disputa, mobilizava base e transferia votos com facilidade.
Mas o cenário mudou Hoje, o presidente enfrenta desgaste. A rejeição cresce. A aprovação oscila.O ambiente político se tornou mais fragmentado. Isso não elimina sua influência. Mas reduz sua capacidade de resolver eleições sozinho. E quando isso acontece, a conta volta para o candidato. Sem intermediários. Sem transferência automática.
É nesse ponto que o marketing encontra seu limite. Pode melhorar a comunicação. Pode ajustar a narrativa.Pode organizar a campanha. Mas não cria densidade política. Não constrói trajetória. Não substitui liderança.
A tentativa de compensar essa ausência tende a gerar um efeito visível. Mais exposição. Mais presença.Mais comunicação. Mas pouca consolidação.
O eleitor vê. Mas não reconhece.Escuta.Mas não se conecta. Porque, no fim das contas, a eleição majoritária é uma escolha simples. Quem lidera?
Jerônimo ainda governa dentro de um ciclo político forte.Mas a reeleição exige algo que não pode ser herdado nem terceirizado. Presença política própria. Autoridade reconhecida. Capacidade de liderança.
Porque marketing organiza campanha. Mas eleição… continua sendo sobre quem o eleitor reconhece como líder.
José Américo Moreira da Silva zamerico1961@gmail.com é jornalista, publicitário, baiano radicado em Brasília
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3abril2026