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Governador do PT quer reduzir marca do partido na campanha Haddad


Camilo Santana foi reeleito governador do Ceará com índice recorde de 79,9% dos votos válidos

Reeleito no primeiro turno para o governo do Ceará, com o maior índice obtido por um candidato a governador neste ano, 79,9% dos votos válidos, o petista Camilo Santana avalia a necessidade do candidato do PT à sucessão presidencial, Fernando Haddad, fazer uma autocrítica partidária.


Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o governador do Ceará considerou que o gesto é importante para mostrar que o presidenciável petista está disposto a "ouvir" e a "dialogar". "Ele vai precisar chamar o PSDB e os partidos de direita e de esquerda. O Brasil não pode continuar nisso", disse. Camilo sugeriu a Haddad que se coloque como um nome acima do partido, que afaste "um pouco essa marca do PT" e que faça acenos ao mercado, garantindo respeito aos contratos em vigor. 


Se o PT tivesse apoiado o nome de Ciro Gomes para a disputa presidencial, o campo da esquerda chegaria com maior vantagem ao segundo turno?
É difícil avaliar, mas, do jeito que foi, a gente poderia até ter tido uma vitória no primeiro turno. Isso pela força do PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela possibilidade do nome de Ciro Gomes agregar mais o país. Mas ninguém pode prever e agora temos de olhar para frente.


E olhando para frente?
Nós vamos fazer de tudo para trabalhar pelo Haddad, mostrar que ele representa o progresso e o futuro do país. O Bolsonaro representa o retrocesso ao que a democracia conquistou. Agora, precisamos ter uma estratégia muito boa para tentar distensionar o clima do país. A tensão está muito grande entre as duas candidaturas.


Como distensionar?
O Haddad tem de se apresentar não como candidato simplesmente do PT, mas como alguém acima do PT. Tem de se colocar como nome disposto a dialogar com todos os segmentos e unir o país.


Ele teria de se afastar do PT e se mostrar como um nome de centro?
Não é nem mostrar, ele tem de se colocar como um nome acima do partido, que possa agregar várias forças e tendências políticas no país, que querem o fortalecimento da democracia e não querem o retrocesso.


Fazer um aceno ao mercado, garantir respeito aos contratos e passar credibilidade. A estratégia no primeiro turno foi associá-lo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que era o detentor dos votos. O momento agora é manter essa estratégia ou se distanciar do petista?


Eu acho que ele tem de se apresentar agora como Haddad. O eleitor do Lula vai votar nele de qualquer jeito, isso já se mostrou agora. Os votos recebidos por dele, não vou dizer 100%, mas a grade maioria foi a força do Lula. Agora ele tem de apresentar quem é o Haddad e ter um discurso de união, de diálogo e de distensionamento. É bastante superior o preparo dele comparado ao de seu adversário.


O PT tem responsabilidade pelo crescimento do candidato do PSL, Jair Bolsonaro?
Não sei avaliar. Uma das coisas que sempre considerei que o PT tinha de fazer, defendi até que era importante o partido se recriar e se reinventar, é fazer uma autocrítica de que cometeu erros, não custa nada. Agora, dizer que os acertos foram muito maiores que os erros e que é importante o país ter uma segunda chance. O PT já governou e mostrou que é possível fazer muita coisa boa. Porque há uma decepção de uma parcela da sociedade em relação ao que aconteceu. 


Então, hoje, para o Haddad ganhar a eleição, seria necessário fazer uma autocrítica?
No discurso dele, ele tem de reconhecer que houve alguns erros e que todos os partidos cometem. Acho importante até para mostrar que ele está disposto a ouvir, a dialogar, a ser um homem aberto para aglutinar e somar forças para superar o problema que o país está vivendo.


Que erros foram cometidos pelo partido?
O PT perdeu um pouco a base social dele a partir do momento que foi para dentro do governo. [É preciso] Reconhecer que algumas pessoas do partido cometeram erros que devem ser punidos. É claro que todo mundo deve ter o direito a se defender e ninguém deve ser culpado por antecipação. Mas acho importante dar essa sinalização.


Por que só o Nordeste não deu vitória a Bolsonaro no primeiro turno?
Por causa dos avanços que o Nordeste teve com o governo do presidente Lula. Isso é inegável. As pessoas passaram a ter poder aquisitivo maior e acesso à universidade. Ou seja, o efeito das políticas públicas. O Brasil ainda é um país com muitas diferenças regionais, com muita desigualdade regional. E o Lula foi quem deu a opção do Nordeste ser visto.


O que explica a onda conservadora no país?
Acho que decepção com a corrupção do país e com o momento difícil da vida das pessoas, como crise, desemprego e violência. Isso acaba causando um descrédito nas pessoas. Mas elas foram às urnas e houve uma participação grande, o que é importante.


As duas maiores bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados foram do PT e do PSL. Independentemente de quem seja eleito, será difícil governar?
Por isso que eu acho que o próximo presidente precisa ter uma capacidade de dialogar e eu não vejo isso no Bolsonaro. Eu vejo no Haddad um perfil que pode aglutinar, dialogar e abrir caminhos para um novo momento para este país. E ele vai precisar chamar o PSDB e os partidos de direita e de esquerda. O Brasil não pode continuar nisso.


O antipetismo alimentou o crescimento do Bolsonaro?
Sem dúvida. Muita gente votou no Bolsonaro porque não quer o PT. Por isso que digo que a atitude do Haddad não pode ser do partido. Tem de afastar um pouco essa marca do PT. Ele precisa se colocar como um projeto novo para o Brasil, onde, claro, o PT faz parte, mas também um conjunto de forças que vai ter de colaborar com ele para o Brasil superar esse momento difícil.


Reeleito, buscará o senador Tasso Jeireissati (PSDB-CE), que apoiou candidatura adversária à do senhor?
Eu vou procurar todos. Vamos esperar um pouco como se dará o comportamento nacional e, a partir daí, vamos procurar todos os novos eleitos para poder construir os caminhos para ajudar o Ceará.

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