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Camaçarico 17 de agosto de 2018


Correntes  Mesmo com asfalto, iluminação pública, escola e sistema de transporte, Cordoaria continua longe do século 21. Comunidade remanescente de um sítio quilombola localizado a cerca de 5 quilômetros da estrada do Coco, zona rural de Camaçari, continua com problemas comuns de um povoamento distante dos centros urbanos e sem a atenção do estado. 


Correntes 2  Uma dessas marcas do descaso com os cerca de 1 mil moradores da localidade é o alto índice de verminose, principalmente entre as crianças. Números não oficiais, até porque o sistema de saúde prestado pela prefeitura à população é precário, mostram que quase metade dos meninos e meninas de Cordoaria está contaminada com 'ameba'. Com graves sintomas no aparelho digestivo, a amebíase é filha da falta de saneamento básico na região, servida por água de poços contaminados e pelo intenso uso para várias finalidades de um dos afluentes do rio Joanes, também infestado por coliformes fecais. 


Correntes 3 A promessa de instalação da rede de água encanada virou lenda. Dona Lourdes Reis, 88 anos, diz que não quer morrer sem ver a água jorrar na torneira da sua casa localizada na praça principal do povoado. A história da água é antiga e parece não ter previsão de desfecho a médio prazo. Segue sem definição o estudo realizado pela Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (Cerb) para instalação de um sistema de captação e bombeamento para uma caixa d’água na parte alta do povoado. A Coluna apurou que a Cerb sequer conseguiu viabilizar o local para instalação do poço. 


Correntes 4  Essa é apenas uma parte da falta de vontade política que cabe ao governo do estado. A Embasa completa a conexão desse sistema perverso, também sob a responsabilidade da gestão estadual, quando empurra a população para a doença por falta de um direito elementar assegurado pela Lei do Saneamento Básico. 


Correntes 5  Cortada por estradas com acesso pelas vias Parafuso (BA-535), Cascalheira (BA-531) e estrada do Coco (BA-099), Cordoaria continua com sede de água limpa. Mais sorte teve o vizinho Alphaville 3. Condomínio residencial classe média alta, localizado a cerca de 3 quilômetros da comunidade, conta com água encanada fornecida pela Embasa e todos os serviços assegurados pela mesma lei que no vizinho pobre e desprotegido ainda não foi aplicada.    


Correntes 6 Sem água tratada para beber, cozinhar alimentos e assegurar higiene pessoal, população vê as dificuldades aumentarem com a falta de um serviço médico que deveria ser responsabilidade da prefeitura de Camaçari. Sem posto de saúde, farmácia básica, e um doutor que apareça semanalmente para prestar atendimentos, população de Cordoaria conta apenas com o trabalho de agentes comunitários de saúde.  


Correntes 7 Para ser receitada, população precisa se deslocar para a não menos desaparelhada Vila de Abrantes, ou para uma das unidades de saúde localizadas na sede. Sair de Cordoaria é outra história. O sistema de transporte por ônibus conta com apenas 4 horários durante todo o dia, com a última viagem saindo da sede de Camaçari às 20h. 


Correntes 8  Reconhecida pela Fundação Cultural Palmares, estrutura ligada ao Ministério da Cultura, como comunidade remanescente quilombola desde 2006, Cordoaria enfrenta outra luta. Busca resgatar e fortalecer sua identidade ancestral negra e sua cultura de raiz africana. Essa é uma das bandeiras da associação de moradores e do grupo de ação e assistência ao quilombo de Cordoaria (GAAQC). 


Correntes 9  Sem apoio oficial, entidades buscam identificar e mapear sítios  arqueológicos e manter viva a história oral e suas manifestações. Desprestigiada e só lembrada no período eleitoral, Cordoaria sequer consegue promover uma grande festa em louvor a padroeira da comunidade, Nossa Senhora de Santana, homenageada dia 26 de julho. 


Correntes 10  Muitas dessas histórias ainda são lembradas em detalhes por seu morador mais antigo, Firmino Francisco Matos, 106 anos. Com parte significativa de sua história e tradições apagadas, Cordoaria sequer possui um um espaço para cultuar a religião dos seus ancestrais. O barracão coberto de palha e único terreiro de candomblé, comandado até os anos 1970 pela mãe de santo Gertrudes Reis, virou a igreja da padroeira.


Correntes 11 Mesmo com a maioria dos moradores vindos da mesma estrutura familiar, comum nessas comunidades classificadas como tradicionais, a necessidade de resgate dessa história não é unânime e pode se perder de vez. Moradores ouvidos pela Coluna garantem que reação conservadora da comunidade não católica é um dos maiores empecilhos. Além da intensa predominância de evangélicos, graças a força de suas 7 igrejas instaladas e funcionando na localidade, luta também encontra poucos apoios fora da comunidade, inclusive do estado e do município que constitucionalmente deveriam assegurar esse resgate. 


Correntes 12 Infelizmente, Cordoaria segue esquecida e enfraquecida principalmente pela falta de uma política municipal de preservação das suas raízes. É como se fosse condenada pelo seu passado.


Confira todas as Colunas acessando o link    http://www.camacariagora.com.br/camacari.php 

João Leite Filho joaoleite01@gmail.com (Editor) 

17/8/2018

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