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Greve dos caminhoneiros mexeu mais com o bolso dos pobres

O movimento dos caminhoneiros que paralisou o país no fim de maio, aumentou a inflação de junho  que impactou mais o bolso das famílias com menor poder aquisitivo. A inflação entre as pessoas mais pobres apresentou alta de 1,5% no mês, mais que o triplo do observado em maio, de 0,41%, de acordo com indicador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) calculado com base no SNIPC (Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor) do IBGE e divulgado nesta terça-feira (10/7). O IPCA, que mede a inflação oficial do país, foi de 0,40% em maio para 1,26% em junho, na maior alta para o mês desde 1995.


Para as famílias de renda alta, embora também tenha sido registrada aceleração, a inflação passou de 0,38% para 1,03%, a menor entre todas as faixas de renda.  Os dados demonstram como a inflação dos mais pobres se descolou no mês dos indicadores das outras faixas de renda e do próprio IPCA.


Alimentação teve um impacto de 0,76 ponto percentual na inflação de famílias de renda muito baixa, mas de 0,32 entre os grupos de alta renda.  Além dos alimentos, os reajustes nas tarifas de energia elétrica também contribuíram para uma alta mais acentuada da inflação dos mais pobres, aponta o Ipea.


Nas camadas mais altas da população, o aumento dos preços dos combustíveis foi um foco de pressão adicional. O grupo de transportes pesou 0,4 ponto percentual na inflação dos mais ricos, e apenas 0,13 entre os mais pobres.


"Enquanto as famílias de renda mais baixa gastam, aproximadamente, 23% do seu orçamento com alimentos no domicílio, e 6% com energia elétrica, as mais ricas despendem, respectivamente, 10% e 2%. No caso dos combustíveis, entretanto, observa-se o contrário: os mais pobres comprometem 2% do seu orçamento com este item, e os mais ricos, 8%", diz a Carta de Conjuntura do instituto. No ano, no entanto, famílias de maior poder aquisitivo ainda acumulam crescimento mais significativo na inflação, de 2,78%, contra 2,49% entre os mais pobres.

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