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Edson Miranda


Voto Nulo: alternativa para 2018?



Argumentos para iniciar um debate sobre a importância de se construir uma Campanha Política em prol do Voto Nulo nas eleições de 2018.


Sempre acreditei na sabedoria dos gregos quando afirmavam que a Política é a busca do bem comum. Assim, tenho consciência de que a Política é muito importante, diria ela é fundamental para a vida, por isso não deve ser exercitada apenas pelos “políticos profissionais”.


No Brasil, a política eleitoral/partidária, que hoje hegemoniza e intimida a Política com “P” maiúsculo, virou o caminho mais rápido e fácil para a conquista do bem particular e, no máximo, da família, amigos e apaniguados dos “políticos”.


O ideal de Comunhão, há muito tempo desapareceu da prática partidária e da maioria das cabeças dos “políticos’. Poucos resistem! Estes, com o Sistema atual, também quase nada podem realizar.


A eleição também é algo importante, mas, ela é apenas um aspecto da Política, esta pertence a um conjunto bem mais amplo que, naturalmente, engloba e, por isso, não pode ser resumida apenas a eleições representativas.


Dessa maneira e diante da crise de representação que atualmente vivemos no Brasil, acredito que esse é um momento mais do que oportuno para a sociedade buscar interferir consequentemente no atual cenário político e, quem sabe, evitar um processo, já em curso, de deterioração crescente da vida e do tecido social brasileiro.


Dessa possibilidade de tragédia que, reafirmo, as eleições atuais cada vez menos se coloca como uma alternativa viável para evitá-la.


 


1-    Sempre se afirmou e muitos continuam a afirmar na quadra atual que o Voto Nulo não muda o país nem anula eleições no Brasil. Que quando você vota Nulo, você está perdendo o seu voto e permitindo que outras pessoas decidam por você. Porém, essa é apenas uma Realidade Subjetiva que ganha força e se afirma quando muitos passam a acreditar nela, plasmando, assim, uma nova Realidade Intersubjetiva.


Essa crença só é verdadeira pelo fato de nunca tentarmos, excetos alguns partidos com interesses políticos/eleitorais específicos, construir um outro conjunto de crenças que se afirme como uma Realidade Intersubjetiva diferente, que se mostre capaz de alcançar os êxitos que objetivamos e que, dessa maneira, melhore de fato a vida de milhões de pessoas.


Acredito que uma campanha articulada politicamente envolvendo um conjunto grande de agentes políticos, sociais, culturais e diversas entidades e instituições tem grande chance de sagrar-se vitoriosa e reunir condições políticas concretas para negociar mudanças importantes para a sociedade, na atual conturbada Conjuntura do país, a partir da deslegitimação de um processo viciado como o que ora se encontra na dianteira.


2-    Estamos indo para uma eleição sem uma Reforma Política profunda no sistema político partidário brasileiro. Tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes. Nesse caso, fica quase que inviável promover as mudanças que o Brasil tanto necessita nesse momento, importante salientar: por quem quer que galgue o poder e pelas salutares vias democráticas;


3-    Não legitimar nenhum político com o voto popular talvez seja a melhor oportunidade que o eleitor/povo tem, no momento, para discutir os reais problemas do Brasil e, assim, construir caminhos realmente promissores para o país. Talvez seja a oportunidade para se evitar uma nova aventura ou um novo aventureiro que levará a Nação e o país, mais uma vez, à frustração e a novos fracassos, talvez até a mais caos e autoritarismos;


4-    Ao votarmos nessa eleição em um político, estamos, novamente, como fazemos há décadas, transferindo nossa parcela de poder para uma pessoa que, no caso brasileiro, concentra poder em demasia, outorgado por uma legislação feita de encomenda para tanto e, diga-se, em detrimento da sociedade civil.


Importante ainda afirmar, a experiência já demonstrou que, na maioria dos casos, esse mesmo político tem utilizado o mandato popular para todo o tipo de malandragem, menos defender os interesses da Nação, dos mais fragilizados e da sociedade como um todo e que, com as regras atuais, nada vai impedi-lo de continuar fazendo o que sempre fez;


5-    Dar um voto favorável a quem quer que seja termina por legitimar uma realidade construída com base na exorbitância da desigualdade, pois o poder do dinheiro, a força dos currais, dos cabrestos e dos mais variados tipos de favores e prebendas, continuarão, a despeito da podridão que emergiu do sistema político atual, a comprar o voto e enfraquecer a soberania popular;


6-    O voto favorável em 2018 pode significar, ao fim e ao cabo, uma posição reacionária contra a emergência de um Brasil diferente e novo que temos a oportunidade de começar a construir e, ao mesmo tempo, uma postura que vai ajudar a conservar um Brasil velho que está desabando, nos extertores, levando consigo uma gama de instituições arcaicas, políticos ultrapassados, oportunistas e corruptos, e uma outra gama de empresários e financistas historicamente malandros, que com seus poderes têm retirado as oportunidades de milhões de cidadãos que trabalham, pagam impostos e labutam cotidianamente para viver honestamente.


7-     Não há final feliz sem "matéria prima de qualidade". O produto final de uma democracia madura e qualificada é um país socialmente justo, economicamente desenvolvido e ambientalmente sustentável, lastreado em educação de ponta. Porém, para este "produto existir", o processo produtivo, que é o voto e a democracia, precisam contar com uma matéria prima de qualidade, que seriam candidaturas qualificadas, transparentes, diversificadas ideologicamente e filtradas moralmente. Está provado que, com o atual modelo político-partidário brasileiro, a população jamais vai dispor desta "matéria prima", sendo impossível renovar a escolha, a partir das "mesmas" opções. Não funciona!


8-    Por fim, é importante discutir essa possibilidade e criticar esse conjunto de argumentos, aqui catalogado, buscando ao máximo abdicar das lentes da polarização e da dicotomia simplista, diria, meramente propagandística e despolitizada, que tomou conta do Brasil, particularmente nos últimos anos, buscando elevar o ambiente político e cultural, conforme o sentido encarnado no início desse texto. Abraços e me coloco disponível para críticas e debates.


Edson Miranda mbedson@gmail.com é jornalista, professor universitário e escreve no blog do Miranda


 
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