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Sócrates Torres


Camaçari e suas novas velhas práticas



A cidade de Camaçari poderia ser analisada como um híbrido do que o corre atualmente no Brasil e um pouco do Rio de Janeiro. Além da escalada voraz da violência, presenciamos iminência parda, corrupção e também um fenômeno nacional, que é o silêncio dos que outrora bradavam e enchiam as ruas se dizendo paladinos da ética e da moral contra a corrupção relacionada ao Partido dos Trabalhadores.


Muitos estão nas folhas de pagamento ou agraciados com serviços públicos nas diversas esferas relacionadas aos grupos políticos que estão no poder. Outros, criticando a atual condição, mas que gostariam de também estar nas tetas do orçamento público como já estiveram antes e esperam a sua vez de voltarem a preencher os lugares hoje ocupados pelos adversários. Um ciclo vicioso que se tornou regra nas administrações em Camaçari.


Enquanto a população vive aterrorizada com uma crise econômica que tira empregos, oportunidades, assistem aos seus governantes -muitos sem nenhum tipo de ligação com o município, mas com seu erário – envolvidos em casos de corrupção, desfrutando de benesses, ostentando bens e demonstrações de saúde financeira, enquanto o povo se desespera diante de tanta violência e falta de respeito contra uma gente que está cansada de ver essa novela que se repete.


Mas agora as coisas estão mais graves. Com a própria fadiga da vaca leiteira, a crise nacional que envolve não apenas a economia, mas as instituições democráticas. O trabalhador que já teve um polo petroquímico que empregava boa parte da população e despejava incessantemente recursos nos cofres públicos já não está tão próspero como outrora. A tendência de Camaçari sofrer perdas de arrecadação e a falta de reformas estruturantes na cidade, para que servisse ao munícipe e não a grupos reduzidos de privilegiados, está se agravando.


O trabalhador que perde seu emprego formal tem uma tendência de não conseguir retornar aos seus postos, caindo assim no trabalho informal. São pessoas que passam a ter um pequeno comércio, serviços. Mas o agravamento da crise leva esse trabalhador informal muitas vezes entrar para o serviço ilegal. A ilegalidade com forma de ganhar dinheiro para a própria sobrevivência se torna até legítima diante de notícias diárias de que a ilegalidade está presente naqueles que deveria zelar pelo bem comum, com ética e moralidade. O próximo passo depois da ilegalidade é a criminalidade. Que cresce em nossa cidade de maneira aterradora.


A população fica à deriva, sem a representação dos vereadores, secretários e até dos lacaios que nunca estão presentes em um supermercado, numa praça, num bar da cidade. A ausência dessas pessoas, assim como de empresários que poderia fazer pressão para que as coisas mudassem, propicia a sensação de abandono absoluto e os cidadãos se tornam órfãos em uma cidade sitiada pela violência.


Mais que isso, o povo enxerga nos seus governantes e representantes a personificação do crime organizado. Uma Câmara de Vereadores que pactua entre situação e oposição, mas aliados no velho jogo falcatruas, para retirar dinheiro público dos cofres e alimentarem suas ganâncias. Por outro lado, um executivo mergulhado em denúncias gravíssimas de corrupção, mas que a despeito do clamor popular faz vistas grossas e dá anuência a essas práticas. E ainda, o silêncio dos que estão no bom.


Mas, nem tudo é notícia ruim em Camaçari. Tenho acompanhado de perto diversas manifestações de pessoas importantes no cenário municipal no sentido de dar um basta à toda essa situação, sob pena de perderem a cidade para sempre. São pessoas que nunca estiveram em política, mas que perceberam que o fundo do poço está próximo e não justifica mais apenas ficarem nas redes sociais e botecos reclamando. Que precisam efetivamente de ações diretas. Gente disposta a entrar para a política para acabar de uma vez por toda com essa alternância deletéria que consome recursos e a dignidade do povo camaçariense.


Esse suspiro me faz ter esperança que em breve poderemos vislumbrar um futuro melhor para Camaçari, longe das mesmas aves de rapina, raposas e gafanhotos que sempre exploraram o município e colocou a nossa cidade nos noticiários policiais. Seja em relação à violência urbana, assim como a corrupção. Violência essa que cria uma espécie de toque de recolher na cidade. Que ao final do expediente comercial e público se torna uma cidade fantasma dominada por criminosos e polícia. Uma cidade que a partir do cair da noite não tem mais autoridade, uma vez que as pessoas que ocupam os principais cargos na administração estão fora do município ou em suas mansões em forma de fortaleza nos condomínios de luxo.


Parece, uma boa parte da população está cansada de ver esse mesmo filme. Muita gente está disposta a mostrar nas urnas a sua indignação e deixar de cair nos discursos fáceis de políticos tradicionais. Tenho sido procurado aqui e quando vou à Camaçari por diversas pessoas que querem realmente virar esse jogo e fico feliz com algumas iniciativas que eu apoiaria incondicionalmente. Camaçari precisa e merece ser uma cidade que prime por seus cidadãos.


Sócrates Magno Torres socratesri@yahoo.com.br é especialista em educação, ex-secretário municipal e atualmente mora em São Paulo


 
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