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Sócrates Torres


Mais que renovação, ruptura



O Brasil passa por um dos maiores retrocesso de sua história. O atual governo está infestado de pessoas medíocres, retrógradas, que defendem interesses corporativos e pessoais. Além disso, o discurso de ódio tem trazido uma divisão muito grande na população. Ao invés do governo trabalhar para gerar empregos, criar um estado de bem estar social, alimenta perseguições e perde a cada dia credibilidade e, por conseguinte, os investimentos econômicos diretos de fontes internacionais. Apenas o capital especulativo e os interesses nas privatizações, atraem os investidores estrangeiros.


Em alguns Estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, essa perda de competitividade é maior ainda, pois tanto governadores como prefeitos de capitais e cidades importantes economicamente, estão alinhados com esse governo federal que apenas leva o Brasil para trás. Enquanto isso, a população amarga grande taxa desemprego, miserabilidade, pessoas em situação de rua e até o aumento dos índices de suicídio, além da eclosão de da violência urbana, que também afugenta investidores.


Cidades como Camaçari, tendem a perder ainda mais. Os recursos privilegiados que a cidade sempre teve acesso, devido a toda sua plataforma industrial e potencial turístico estão com os dias contados. Mesmo assim, a cidade mais rica da Bahia nunca conseguiu fazer com que essa renda fosse transformada em bem estar para a população. E se perdermos mais uma vez o trem da história, o risco dessa situação se tornar crônica, transformando a cidade em uma grande zona de pobreza e violência, de forma irreversível é muito grande. O implacável tempo joga contra o município que já foi tão próspero, mas que agora tende a se tornar um grande bolsão de pobreza.


As próximas eleições municipais podem e devem ser um ponto de inflexão nessa derrocada que assola o Brasil e que carrega a reboque, outras localidades que se alinham com a postura do governo federal.


Camaçari tem a chance de, em 2020, realizar muito mais que uma renovação, mas uma verdadeira ruptura e se contrapor ao modelo implantado no país e na nossa cidade, desde sempre. Esse modelo clientelista e que privilegia pessoas e grupos que não tem compromisso com a cidade precisa ser derrubado para que possamos vislumbrar uma cidade muito mais humana e justa com seus munícipes. Para isso, dos modelos experimentados até agora, não deverá restar nenhum resquício.


Apenas assim, Camaçari pode se libertar de sanguessugas, das nuvens de gafanhotos que dilapidam o orçamento, beneficiando poucos e prejudicando o conjunto da sociedade. Sem a presença de pessoas da cidade ocupando os principais cargos da administração municipal e marcando presença no território, mesmo fora do horário de trabalho, a população nunca vai enxergar que pertence ao município e é valorizado. Esses mesmo profissionais deveriam consumir produtos e serviços na própria cidade, aumentando assim a renda e propiciando o aquecimento da economia local. Para além da renda proveniente das empresas instaladas em Camaçari, um comércio forte – não apenas na região central- mas distribuído por toda a cidade e distritos.


Para além de movimentar a economia, o maior impacto de pessoas conhecidas estarem na cidade, reside justamente no fato da população poder estar próximo à quem efetivamente toma decisões na gestão pública. Podendo assim, fazer suas sugestões, pleitos, reclamações diretamente com os operadores do governo. A simples presença regular na cidade já traz esse caráter de autoridades presentes o tempo inteiro, diminuindo assim, até a própria violência, uma vez que o cidadão não terá aquela sensação de “cidade de ninguém” experimentada aos finais de semana ou em qualquer hora depois do horário administrativo.


Camaçari não pode ficar nas mãos de quem nunca demonstrou a importância da educação e da cultura em cada bairro, cada distrito. Não há como imaginar governantes que não invistam em programas sociais, coletivos de arte e cultura, que não busquem investimentos sustentáveis e novas matrizes econômicas que sejam menos poluentes, que exijam mão de obra cada vez mais especializada. Só assim, esse estigma de “cidade dormitório” pode desaparecer, dando origem a um conceito de local de tecnologia, segurança, respeito aos moradores. Trazendo assim, um onda de crescimento econômico acompanhado de desenvolvimento social.


Nossa cidade pode se tornar o destino de investimentos, inclusive de cidades do eixo sul/sudeste que estão deixando muitas cidade por terem perdido a competitividade, além de atrair empresas internacionais, aproveitando toda a plataforma existente e ainda ampliar essa infraestrutura. Tanto industrial como de serviços e turismo. Dessa maneira, Camaçari poderá ocupar, a médio e longo prazo, o espaço que lhe é devido no cenário nacional e internacional. O de uma cidade que vai na contramão do retrocesso que assola o país.


Ouço o tempo inteiro de conterrâneos, quando estou na cidade ou sou visitado aqui em São Paulo, a agonia que a falta de perspectiva causa nos moradores dessa cidade, em que fica a cada dia mais difícil de se viver. Mas por outro lado, percebo também muita esperança em uma ruptura, principalmente pela fadiga que os grupos que sempre comandaram a cidade estão passando. Um desgaste que faz com que a população não veja em quem hoje busca ascender ao poder, legitimidade para serem os agentes da mudança estrutural que Camaçari precisa. Mas para que toda a transformação aconteça é preciso acreditar em dias melhores em que cada cidadão é sujeito histórico coletivo dessa mudança. E ao que parece, é do povo que vem essa necessidade e será através dele que Camaçari se transformará em um lugar que se tenha orgulho de viver e de ter nascido. Quem viver, verá...


Sócrates Magno Torres socratesri@yahoo.com.br é especialista em educação, ex-secretário municipal e atualmente mora em São Paulo


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor


 
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