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JOÃO BORGES NO COLUNISTAS: Os orixás que não atravessaram o Atlântico


João Borges é artista, filósofo, historiador e Babalorixá

E os que não vieram, hein?


Você já ouviu falar de Exu, Ogum, Obatalá, Xangô, Oxum, Iemanjá? Certo. Todo mundo já! Mas e se eu te disser que o panteão iorubá tem 401 (Irunmoles) e 200 (Igbamoles) poderosos poderosas, sagrados e sagradas, cheios de história e mistério e que a grande maioria nunca pisou em solo brasileiro? 


Pois é. Enquanto muitas divindades cruzaram o Atlântico dentro dos nefastos navios negreiros, escondidos na memória e na fé dos nossos antepassados, muitos outros ficaram pelo caminho. Ou melhor: nunca foram trazidos. Seus cultos permaneceram na África. Suas histórias não foram contadas por aqui. Seus nomes são desconhecidos até mesmo por devotos que são iniciados. Essa série de artigos vai mudar isso! 


O que vem por aí? Nos próximos textos, vou apresentar a vocês Orixás cujo culto não chegou ao Brasil. Deidades que regem forças da natureza, aspectos da existência humana e dimensões do sagrado que o Candomblé brasileiro, por razões históricas, não incorporou. 


Alguns exemplos do que vamos explorar: Orixás que nunca foram "traduzidos" para a nossa realidade. Divindades cultuadas apenas em cidades específicas da Iorubalandia. Orixás cujos mitos se perderam na travessia e que sobrevivem apenas em cantigas esquecidas ou em textos sagrados que ninguém aqui leu. Forças da natureza que o Brasil não conheceu porque simplesmente não têm correspondente na nossa geografia ou na nossa história. 


E o mais instigante: por que esses orixás não vieram? A resposta envolve escravidão, rotas comerciais, políticas de nações africanas, escolhas de famílias religiosas, disputas de poder dentro dos próprios Terreiros e, obvio, a violenta máquina de apagamento que foi o colonialismo. 


Por que você precisa ler essa serie? Porque conhecer os Orixás que não chegaram é conhecer a África que o Brasil esqueceu. É entender que o Candomblé que praticamos é apenas uma fatia importantíssima, viva, resistente de um universo muito maior. 


É também uma forma de honrar os antepassados que não puderam trazer todos as suas Divindades. Aqueles que, ao desembarcar aqui, tiveram que fazer escolhas: qual Orixá cultuar? Qual mito preservar? Qual festa realizar? E qual deixar de cultuar? 


Essa série é um resgate. Uma viagem. Uma conversa com os Orixás que a escravização transatlântica bruscamente separou, mas que ainda esperam, do outro lado do oceano, para serem lembrados. 


Você que me acompanha, gosta de minha coluna e lê meus textos sobre a devastação que avança para o cosmo. Sobre a ONU e o tráfico de escravizados. Sobre o Carnaval entre resistência e apagamento, sobre Quilombo da Cordoaria, sobre a ciência e ancestralidade, sobre os ianques e o ouro negro, sobre a cannabis ancestral, sobre a África e a subtração eurocêntrica. 


Agora, prepare-se para ir além. Para mergulhar em um território que poucos pesquisadores ousaram explorar. Para conhecer os Orixás invisibilizados, para o Brasil aqueles que a diáspora não conseguiu alcançar. 


"Bí a kò bá rí irú ẹni, a ó rí Egun ẹni" — "Se não encontrarmos nosso semelhante, encontraremos nosso ancestral" (provérbio Iorubá). Vamos encontrar esses Orixás. Vamos lembrar seus nomes. Vamos contar suas histórias.


Àṣẹ! 


João Borges é artista, filosofo, historiador, Babalorixá, é pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Difusão do Conhecimento (PPGDC/UNEB) e Professor em estágio de Doutorado Sanduiche na Lagos State University, Babalorixá e Artista Multi Linguagem 


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

8maio2026

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