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ADELMO BORGES NO COLUNISTAS: As pesquisas e o eleitor


Adelmo Borges dos Santos

Cartela única


A percepção que se exibia era que a inauguração da Policlínica de Camaçari encerrava todo o esforço necessário para o êxito eleitoral no município. Na obra está agregado a presença do governo federal sob a regência de Luiz Inácio da Silva, do governo estadual sob a liderança de Jerônimo e da prefeitura tendo como comandante Luiz Caetano. Os primeiros (Lula e Jerônimo) pleiteando a reeleição e Caetano vislumbrando a manutenção da representação federal com Ivoneide Caetano e uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia. A coisa não é simples assim. 


Com a aproximação do dia D (4 de outubro) das eleições, avaliações devem ser feitas para quantificar e qualificar a reação da população, não só em relação ao equipamento inaugurado, sua efetiva melhoria em número e qualidade do atendimento, assim como outros elementos que influem na decisão do eleitor. 


Há meses atrás, a nível federal, se considerava que a isenção do imposto de renda para os salários até CR$5.000,00 era a bala de prata para o pleito de reeleição, no entanto a mudança no comando do Ministério da Saúde com o destaque do ministro Padilha e gerenciamento do SUS é que deu sustentação a popularidade do governo Lula.


Analistas e estudiosos do comportamento da sociedade em relação ao desempenho governamental, evidenciam a observação social e política em relação a estrutura da qualificação e quantificação das sinalizações produzidas pelos atores sociais no sentido de distinguir a avaliação que organiza a percepção do governo em gradações de qualidade: ótimo, bom, regular, ruim e péssimo e os elementos que determinam entre aprova e desaprova que aparentemente medem de maneira uniforme a mesma questão em um mesmo instrumento. 


Profissionais das Ciências políticas, sociólogos e técnicos operadores da elaboração metodológica da coleta e análise dos dados atentam que na leitura das pesquisas de opinião, há um apelo recorrente de comunicação (ou de indução eleitoral) uma tentação em reduzir a complexidade do eleitorado a uma equação rudimentar entre aprova e desaprova no sentido conveniente para a circulação rápida da informação, no entanto, isso, empobrece e obscurece o que nele há de mais relevante, além de se afastar do compromisso com a realidade apontada pelos dados obtidos em pesquisas qualitativas. 


A zona intermediária, a região que as escalas qualitativas costumam nomear como regular, e não apenas nos pólos da concordância ou da rejeição, que se estrutura o sentimento silencioso da reputação política. Assim sendo, a apuração detalhada do cenário pode vir a indicar a necessidade de se estabelecer uma outra cartela (plano B) visando possíveis acidentes políticos. 


Os estrategistas qualificados e experientes que coordenam campanhas políticas tratam o eleitor como o centro das sondagens. E não como um bloco indefinido, mas uma massa oscilante, sensível a sinais de competência, expectativa e desgaste. Em contextos de comprometimento com a questões governamentais, esse contingente tende a ser absorvido com mais facilidade pela base de sustentação do governo. 


Em cenários de tensão institucional ou erosão de confiança, a mesma ambivalência pode converter-se em retração, ceticismo ou deserção. Assim passam a considerar não somente quantos aprovam ou desaprovam a gestão em saldo bruto, mas, com maior aprofundamento a elasticidade dos indecisos no sentido de detectar os movimentos da vontade coletiva. 


Que DEUS e os Orixás nos protejam


Adelmo Borges dos Santos adelmook@gmail.com   


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

10julho2026

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