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José Carlos Teixeira é jornalista e especialista em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública

Mural de Juarez Paraíso restaurado é exemplo de como cuidar do patrimônio cultural da Bahia


“De todos peço atenção
Falo de peito lavado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado”
(Louvação, de Gilberto Gil e Torquato Neto)


Para qualquer canto que se olhe há uma obra dele a embelezar esta Cidade da Bahia de Todos-os-Santos. Se bem que, em alguns casos, reste apenas a lembrança, pois foram destruídas ao longo do tempo – umas por desídia de quem devia delas cuidar e não o fez; outras por criminosa intolerância religiosa a dilapidar símbolos e referências das religiões de matriz africana; e a maioria, por ignorância pura e simples, certamente.


Ele é Juarez Marialva Tito Martins Paraíso, 89 anos, nascido em Arapiranga, pequeno povoado de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, mas há décadas morador de Salvador, onde construiu uma vasta obra como pintor, gravador, desenhista, fotógrafo, professor e crítico de artes plásticas. É um dos mais respeitados nomes da segunda geração dos artistas modernistas da Bahia, ao lado de Calasans Neto, Sante Scaldaferri e Jenner Augusto.


Na extensa obra de Juarez Paraíso a produção mural ocupa posição de destaque. Ele iniciou sua trajetória nesse campo em 1957, ainda estudante da Escola de Belas Artes – da qual se tornaria professor –, quando fez um painel para o Diretório Acadêmico. De lá para cá, não parou, espalhando murais e painéis por toda a cidade, em praças, calçadões e prédios públicos e particulares.


Muitos desses murais foram destruídos e muitos outros correm risco de também desaparecer. Por conta dessa ameaça, desde o ano passado um grupo de artistas, amigos e admiradores de Juarez vem se movimentando para cobrar do prefeito da capital e do governador do Estado o tombamento das principais criações murais do artista. Seria uma forma de garantir a perenidade dessas obras, que integram o patrimônio artístico e cultural da Bahia. (Caso o ilustre leitor e a gentil leitora desejem integrar-se ao movimento, segue o link para o abaixo-assinado virtual: https://www.change.org/p/tombar-as-obras-do-artista-pl%C3%A1stico-juarez-paraiso).


Na semana passada, um dos imponentes murais feitos por Juarez foi entregue totalmente restaurado. Trata-se do mural Flor de Pedras, uma enorme peça com formas sinuosas delimitadas por cordões de cimento e argamassa e preenchidas com fragmentos de variados tipos de rochas coloridas.


O mural Flor de Pedras foi criado em 1988 para o Museu Geológico da Bahia, localizado no Corredor da Vitória. Fica em um muro do pátio inferior da construção, na área de acesso à sala de cinema, voltada para o Vale do Canela.


Louve-se aqui a iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, à qual o museu está vinculado, em proceder a restauração do mural.


Um raro exemplo de zelo com o patrimônio artístico e cultural da Bahia, que bem merecia ser seguido pela Secretaria da Cultura do Estado, sob cuja guarda está o acervo do artista visual Frans Krajcberg (1921-2017), um polonês naturalizado brasileiro que doou ao Governo da Bahia em 2009 um conjunto de 48 mil itens, entre esculturas, gravuras, fotografias e pinturas, com o objetivo de preservá-los após sua morte.


As peças de Krajcberg continuam no Sítio Natura, antiga casa e ateliê do artista em Nova Viçosa, no Sul da Bahia, praticamente abandonadas, consumidas por cupins e brocas – com exceção de umas poucas que foram recuperadas por iniciativa do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia para uma exposição comemorativa dos 100 anos de nascimento do artista, realizada no ano passado.


Não foi a primeira cessão de obras de Krajcberg feita pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão da Secretaria da Cultura responsável pela gestão dos museus baianos. Anteriormente, algumas peças selecionadas foram cedidas em comodato para decorar um requintado e seletivo cerimonial particular instalado na Ilha dos Frades, na Baía de Todos-os-Santos.


No ano passado, o Ipac anunciou que as peças de Krajcberg emprestadas ao museu paulista não retornariam a Nova Viçosa: iriam para o Museu Wanderley de Pinho, no distrito de Caboto, município de Candeias, no Recôncavo da Baía de Todos-os-Santos. Mas tudo ficou apenas no anúncio – até mesmo porque o Museu do Recôncavo, fechado há mais de 20 anos, segue mergulhado em um processo de restauração que parece não ter fim. Mas essa é outra história.


José Carlos Teixeira  zecarlosteixeira@uol.com.br é jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública pela UniversidadeCatólica do Salvador


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

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