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Bandidos assaltam terreiro de Camaçari e agridem o pai de santo


Machucado na face, babalorixá garante que sua dor maior foi com o desrespeito ao sagrado

O Terreiro Ilê Axé Ojisé Olodumare, localizado em Barra do Pojuca, orla de Camaçari, foi assaltado na noite de sábado (12) por  6 homens armados.  A invasão  foi relatada através das redes sociais pelo perfil Casa do Mensageiro. No texto compartilhado no Instagram o perfil afirma que a invasão ocorreu durante a cerimônia pública em louvor a Osalá. O babalorixá da casa, Rychelmy Imbiriba e um fotógrafo, foram agredidos com uma coronhada na cabeça pelos assaltantes e os pertences dos presentes deixado para o santo foram levados por eles. Os convidados também tiveram os pertences roubados e um carro foi levado pelo grupo na ação.


“Eles colocaram as armas nas cabeças dos orixás”, disse o babalorixá. Machucado na face, fruto de uma coronhada, garante que sua  dor maior foi com o desrespeito ao sagrado, ao culto do candomblé e aos orixás que ali se encontravam.


Além de queixa na delegacia, o caso  será registrado  no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, da Secretaria estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), no Ministério Público da Bahia (MP-BA). 


Nota divulgada pela Casa do Mensageiro em nome do Babalorixá Rychelmy Imbiriba:


Em nome do Babalorixá Rychelmy Imbiriba e todo Egbé do Ilê Axé Ojisé Olodumare viemos através dessa nota relatar mais um caso de violência e intolerância religiosa que infelizmente acometeu nossa família neste sábado (12.01.19). Hoje, durante a cerimônia pública em louvor a Osalá, nossa casa foi invadida por bandidos armados que além de levar os pertences dos presentes (Egbé e convidados) profanaram a nossa fé, desrespeitaram nosso espaço sagrado, o nosso culto e agrediram o fisicamente o Babà Rychelmy Esutobi.
Nesse momento, lembramos do quanto a nossa religião foi duramente perseguida pelo Estado e pela polícia. É impossível não lembrar do nosso ancestral, nosso avô Pai Procópio de Ogunjá que tanto foi perseguido como alvo de violência policial. E, apesar de toda perseguição se manteve firme na fé e seguindo na religião. 
Hoje somos alvo da violência que assola toda a nossa sociedade, acrescida da violência religiosa. 
Apesar de todo ocorrido estamos bem e continuaremos contritos em nossa fé conforme nossos antepassados nos ensinaram. 
Pedimos desculpas aos presentes na festa por terem vivido esse momento de aflição em nosso espaço que tanto remete a paz e segurança. 
Tomaremos as providências cabíveis para que fatos como esse não mais ocorram em nosso Ilê Axé.
Atenciosamente, 
Família Ojisé.

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