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Vital Sampaio


Crise na saúde



Há cerca de cinco anos venho confidenciando a amigos e colegas que teremos um caos na saúde do País, caso não haja uma intervenção imediata da sociedade civil organizada.


Começa pela falência dos planos de saúde, que se aumentam demasiadamente os valores das mensalidades, ficam sem associados, e se não aumentam, são engolidos pela inflação nos custos dos serviços já ofertados, acrescidos pela oferta de novas tecnologias cada dia mais sofisticadas e caras, não só para diagnósticos, como para acompanhamentos e tratamentos, sem esquecer o aumento da longevidade dos brasileiros, maioria deles, acompanhados de doenças antes fatais e que hoje se tornaram crônicas, como o câncer, por exemplo. O resultado é cada vez mais a migração dessa população, para o Sistema Único de Saúde – SUS.


A pressão natural e justa da população para se servir dessas novas tecnologias, aliada à necessidade dos profissionais de saúde de também utiliza-las, encarece demasiadamente o sistema, acrescida das crises politicas, administrativas e financeiras das instituições, não esquecendo os processos de corrupção existente no seio de nossa sociedade.


A situação da saúde no Rio de Janeiro, como de outros Estados e Municípios amplamente divulgada pelos órgãos de comunicação, não é novidade, muito pelo contrario, previsível. E daqui por diante, atingirá gradualmente todo o País, caso providencias não sejam tomadas. Aqueles que priorizaram a saúde e tiveram gestores da área capazes de entender o momento e que procuraram adequar seus orçamentos às necessidades básicas, agonizarão mais tardiamente, ao contrario daqueles que não souberam planejar e administrar seus recursos, que já estão sentindo na pele essa situação, principalmente no final de 2015, quando, acabando o orçamento antes da hora, teve que fechar as portas de seus serviços, para esperar um novo ano e um novo orçamento. Na Bahia, em boa hora, o governador Rui Costa, iniciou sua gestão fazendo mudanças radicais e importantes, sustando projetos mirabolantes e megalomaníacos, que gastavam enormes somas de recursos para atingir objetivos pequenos e por isso, consegue respirar, apesar das enormes filas das regulações da vida.


E quem culpa esse ou aquele setor individualmente, como as classes profissionais, exemplo dos médicos e de outros profissionais,  está dando um atestado de incompetência e incapacidade, porque a culpa é de todos nós. Dizer por exemplo, que a culpa é dos médicos em greve, quando os mesmos suspendem suas atividades por falta de condições de atender correta e dignamente um paciente, é não saber o que é fazer saúde, assim como deixar chegar ao caos, dizendo que faltaram recursos de outras fontes de financiamento é reconhecer não saber minimamente planejar. Ou a população, conselhos de classe, sindicatos, empresários do setor, políticos e as três esferas de governo sentam em uma mesa e decidem o modelo adequado para a saúde que deve ser oferecida ao Brasil, ou dentro em breve, essa situação atual de alguns estará generalizada e sem perspectivas.


Vital Sampaio Neto vital.sampaio@hotmail.com é médico com especialização em Saúde Pública, Administração Hospitalar e Medicina do Trabalho. Exerceu cargos de Secretario de Saúde em Camaçari, Dias d’Ávila e Lauro de Freitas e de Diretor no Hospital Roberto Santos e Maternidade Albert Sabin. Vereador por dois mandatos no município de Camaçari.


 
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