O alcaide Caetano e a vitória que exige ajuste na gestão se quiser manter o poder
O deputado Elinaldo, o novo cenário para a oposição e a sombra de Flávio Bolsonaro
A bancada antigovernista e a difícil eleição para Mesa da Câmara de Vereadores
Roteiros Não foi uma vitória completa, mas foi um significativo avanço. Urnas deram tranquilidade para o alcaide Luiz Caetano (PT) concluir os dois anos restantes da sua gestão 04 sem o constante fantasma da derrota em 2028, como vinha se desenhando em muitos cenários até antes das eleições de domingo (5).
Roteiros 2 Mesmo sem conseguir fazer de Jerônimo o mais votado em Camaçari, derrota paroquial para ACM Neto (União) tem preço e vai ser cobrado. Na conta final o ex-alcaide de Salvador superou em apenas 61 votos o governador petista e candidato a reeleição por um placar de 75.413 votos X 75.352 votos nas urnas de Camaçari. Comparados aos 22 mil votos de frente de Neto sobre Jerônimo, nas urnas de 2022, foi uma guinada que terminou se esbarrando no que se poderia chamar de detalhe.
Roteiros 3 Compensação e fortalecimento do seu capital político junto ao grupo petista que segue no comando da Bahia por mais 4 anos vêm com a eleição do vereador Tagner para a Assembleia Legislativa.
Roteiros 4 A reeleição da sua esposa, a deputada federal Ivoneide Caetano (PT) é outro importante agregador nessa conta de poder e posição numa estrutura formada pelos senadores Rui Costa (eleito) e o reeleito Jaques Wagner; e pelo governador até 2030, Jerônimo Rodrigues.
Roteiros 5 O reconduzido deputado estadual Junior Muniz (PT) também entra nessa conta, ainda que com menor peso na balança de poder de Caetano. Mesmo se declarando liderado do alcaide Caetano, Muniz que sua somou 8.478 votos em Camaçari, de um total de 74.146 votos, é tido como membro da bancada do governador. Nesta disputa sai de Camaçari com metade dos votos obtidos em 2022.
Roteiros 6 A votação de Lula é um caso à parte. Não dá para ignorar o peso decisivo e único do líder nacional nas contas de somar dos demais cargos em jogo nas urnas deste domingo.
Roteiros 7 Com esses trunfos, mesmo em débito pelos 61 pirulitos com o governador, cabe a Caetano fazer o que deveria ter feito desde o ano passado. Mexer no time e colocar a gestão para funcionar num novo ritmo, se quiser manter o poder.
Roteiros 8 Só não pode trocar ´6 por meia dúzia` e apostar na mera estratégia política de ajustar a gestão visando apenas as eleições de 2028. Camaçari precisa e merece muito mais que dois anos de ações meramente eleitoreiras. As urnas estão aí para mostrar o poder do eleitor.
Roteiros 9 Nesse novo cenário, a estreia de Tagner, com significativos de 40.596 votos no município, de um total de 63.032 votos, coloca o jovem político na estrada da sucessão municipal de 2028. Será fundamental nessa equação o seu desempenho na ALBA e sua capacidade de articulação, inclusive junto ao governador e aos demais caciques do seu partido.
Roteiros 10 Outro aparentemente fora desse cenário é o primeiro suplente de vereador e atual titular da pasta de esportes e juventude (Sejuv), Teo Ribeiro. Seu nome pode emergir por conta da conjuntura sem Tagner nas eleições para a Mesa da Câmara de Vereadores, como aponta a Coluna mais abaixo. Lista de petistas que após as eleições de segundo turno precisa ser clareada, também exibe o nome do vereador licenciado e secretário de educação, Marcio Neves.
Roteiros 11 Já a parlamentar Ivoneide, com 51.861 votos em Camaçari, de um total de 163.058, vai precisar focar mais suas atividades no Congresso. Mesmo com um crescimento significativo em relação aos pouco mais de 38 mil em Camaçari, de um geral de 105.885 nas urnas de 2022, a deputada precisa lembrar que o gestor municipal é o seu marido. Exemplos nesses dois anos não faltam. Vai precisar construir protagonismo no Congresso se quiser cacifar seu grupo.
Roteiros 12 Na conta geral, o grupo petista também manteve a vantagem para o Senado, agora com duas cadeiras, na comparação com a eleição do representante na única vaga na votação de 2022. O presidente Lula seguiu acima dos 60% dos votos. Apesar do número maior de votantes (96.949), o petista registrou um percentual de votos menor de 62,18% em relação aos 64,77% de 2022.
Roteiros 13 Em situação nada confortável, apesar da sua vitória pessoal, o ex-alcaide Antonio Elinaldo (União) também vai precisar se reposicionar em Camaçari. Eleito deputado estadual com 101.314 votos, a 6ª maior pontuação geral, e o mais votado do seu partido, Elinaldo exibe um mapa pouco favorável na sua principal base.
Roteiros 14 Alcaide por dois mandatos seguidos (2017-2024), Elinaldo anunciava de forma oficial que somaria cerca de 20 mil na sua principal base. Reuniu 23.396 apoios em Camaçari, número muito abaixo potencial eleitoral.
Roteiros 15 Com 17.200 votos a menos que os recebidos por tanger, seu concorrente direto, com total de 40.596 votos no município, Elinaldo sabe que resultado é sinal de alerta.
Roteiros 16 Nessa conjuntura desfavorável, Elinaldo também terá aumento de riscos nos demais espaços municipais, confortáveis até antes das eleições e sob a expectativa de vitória do amigo e aliado ACM Neto (União). Assim como o líder do grupo oposicionista no estado, sai enfraquecido com a segunda derrota para o governo do estado.
Roteiros 17 Para ser o nome de oposição em 2028, ou exibir indicação competitiva terá de recompor suas bases e reagregar forças que o processo eleitoral deste ano separou. Essa conta de somar começa já nos próximos dias com a sua adesão à campanha de Flavio Bolsonaro (PL) na disputa do segundo turno, próximo dia 25.
Roteiros 18 Sem muro para subir e esperar passar a correnteza, Elinaldo vai ter que construir um complicado caminho de sobrevivência e apoio ao primogênito dos Bolsonaro numa Camaçari onde 6 em cada 10 eleitores votam em Lula.
Controle A reeleição de Jerônimo e a eleição do vereador Tagner Cerqueira para a Assembleia Legislativa (ALBA) deve mudar a correlação de forças no comando da Câmara de Vereadores de Camaçari no biênio 2027-2028.
Controle 2 Hoje com maioria apertada de um votinho do total de 23, os 12 oposicionistas liderados pelo deputado estadual eleito, o ex-alcaide Antonio Elinaldo (União), tende a perder o controle do Legislativo.
Controle 3 Na disputa prevista para dezembro, segundo a Lei Orgânica, mas com data móvel que pode ser antecipada, de acordo com o Regimento Interno, modificado no ano passado, um nome na base caetanista aparece como o ideal para a vaga.
Controle 4 O primeiro suplente de vereador Teo Ribeiro, atualmente alojado na Secretaria de Esportes e Juventude (Sejuv) é tido como a luva na medida para a missão de virar votos e vencer a disputa pelo comando do Legislativo. Lista tem outros nomes sem o peso de Teo.
Controle 5 Histórico de 4 mandatos, considerado decano da Casa e conhecido pelo jeito afável e capacidade de negociação, Teo tem bom trânsito entre todos os colegas. Não vai ser difícil para o petista convencer e trazer esses apoios para a confortável sombra do poder, agora maior e com mais possibilidades de benesses com o governador e aliado reeleito.
Controle 6 Para Teo se habilitar é necessário assumir de forma definitiva o mandato. Daí a necessidade de Tagner renunciar à vereança, o que só deve acontecer depois da diplomação prevista pela legislação para até 18 de dezembro.
Controle 7 Do lado elinaldista a lista tem três nomes para manter o comando do Legislativo. O médico Elias Natan (PSDB) aparece como o mais cotado. Nesse bloco sem consenso, outro vereador na disputa é Herbinho (União). O vereador Doutor Samuka é tido como a terceira via. Como registrou a última Coluna, basta conquistar um votinho dos 12 oposicionistas para o alcaide Caetano assegurar o controle das ações do Legislativo.
João Leite Filho joaoleite01@gmail.com – Editor
5outubro2026 Fechamento: 17h02