A outrora promissora geração política dos anos 1970/1980
A ex-deputada federal e ex-prefeita de Lauro de Freitas pelo PT-BA, Moema Gramacho, faz sua estréia, sem estrela, na propaganda partidária do seu "novo" partido, o MDB da Bahia. Esse mesmo de donos, normalmente machos alfas, de Geddel e Uldurico Júnior. Nacionalmente de Temer, Renan Calheiros, Sarney et caterva.
Esse é o vexaminoso, porém previsível, desfecho produzido pelo ilimitado carreirismo eleitoral, também nas esquerdas --- o que por coerência, principalmente pela pregação, não deveria ser admitido nessas hostes políticas e ideológicas.
Uma pena e, ao mesmo tempo, uma perda imensa para o processo de transformação estrutural do nosso país, que nessa quadra histórica se reconfigure de maneira tão desastrosa, a cara, a marca na história, da antes "revolucionária geração de 70/80". Afinal, não nos iludamos, é o que ficará gravado nas linhas de uma história bem contada. Àquela que se escava a contrapelo e é narrada com coerência e honestidade intelectual, diga-se, virtudes, que os processos verdadeiramente emancipadores e transformadores sempre vão exigir.
Pura rendição! Em breve tempo, mostraram não ter capacidade para resistir ao calor da forja que leva décadas para moldar uma verdadeira liderança popular. Na hora derradeira, se renderam ao lixo, iludidos que estavam com o luxo!
Entretanto, ao fim e ao cabo, o processo político e social serve para isso: revelar a verdadeira natureza dos seus reais propósitos e às máscaras que vão caindo das faces dos atores, no decorrer dos sucessivos atos. No caso em tela, revela-se a mais pura alquimia política, com o mais absoluto objetivo de alpinismo de classe.
Vinho avinagrado, eis no que se transformou, pois, no âmago, essa era a verdadeira natureza da transformação que se prometia: apenas alquímica! Havia um oportunismo latente que cegava quem ousasse encará-lo. Ficou impossível, agora, consumir diretamente esse vinho. Agora, sem fanatismos e ilusões, será necessário diluí-lo na cozinha da política institucional brasileira, enquanto um novo vinho está sendo fermentado nas barricadas das oprimidas e exploradas vidas severinas do Brasil.
Rendição, rendição, rendição! Dessa maneira, o coronelismo, a escória política, continuará por muito mais tempo no comando e controle da vida nacional. Eis o que restou da "promissora e revolucionária" geração política brasileira das décadas de 70/80 do século XX: entregar dedos, anéis, braços, pernas e cabeças, sem esconder seu mais novo objetivo político --- sem mais nenhuma vergonha ou prurido --- que é permanecer enrolada nos cheirosos lençóis dos palácios da burguesia nacional e internacional.
Ao final, tudo não passou de puro ilusionismo. Puro oportunismo! Os oportunistas que sempre aparecem na história, marcaram presença mais uma vez na luta do povo brasileiro.
Que venha outra geração de lideranças políticas e não nos venda pastéis de vento!
Adeus mudanças, adeus transformações, adeus revolução! Tão cedo não verás, oh filho dessa mãe mais que gentil! Êh, Brasil doido!
Edson Miranda mbedson@gmail.com é jornalista, professor universitário e escreve no blog do Miranda
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28maio2026