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LUIZ CARLOS AZEDO NO COLUNISTAS: O filme e o novo nome


Luiz Carlos Azedo é jornalista e analista político

Gravação gera crise na campanha de Flávio. Michelle é alternativa


Houve reação em cadeia sobre as relações do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro e há controvérsias sobre a real destinação dos recursos do Master


Os áudios de Flávio Bolsonaro (RJ) pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre o pai, Jair Bolsonaro, instalaram uma séria crise na campanha do candidato a presidente do PL. Segundo a colunista Ana Maria Campos, da coluna CB.Poder, colega aqui do Correio, abertamente ou nos bastidores, até mesmo aliados retomam a discussão sobre a possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) assumir o seu lugar na disputa pela Presidência.


As gravações que vieram a público após reportagem do site The Intercept Brasil revelaram conversas em que Flávio cobra Vorcaro por repasses financeiros destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente. E provocaram uma reação em cadeia sobre suas relações com o ex-banqueiro, além de informações desencontradas sobre a destinação de recursos para a produção do filme.


Quinta-feira (15), Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa do senador. Segundo ele, o episódio não deve prejudicar a pré-candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto. Durante entrevista coletiva, o governador de São Paulo afirmou que há um desgaste da população com o atual governo e avaliou que o cenário político favorece a oposição. Para Tarcísio, os debates conduzidos por Flávio na pré-campanha continuam mobilizando apoiadores e, por isso, a repercussão do caso não teria força para enfraquecer o senador.


O governador também afirmou que Flávio procurou esclarecer rapidamente o conteúdo das gravações divulgadas. “O Flávio imediatamente procurou dar os esclarecimentos, falou do que se tratava. Acho que o Flávio precisa continuar dando os esclarecimentos à medida que as perguntas forem aparecendo”, disse.


Tarcísio acrescentou que “o escândalo do Banco Master está no centro das atenções dos brasileiros” e afirmou que a população “não tolera mais corrupção”. Segundo a publicação, o banqueiro teria se comprometido a investir R$ 124 milhões no projeto, dos quais cerca de R$ 61 milhões já teriam sido pagos. Após a divulgação do material, Flávio confirmou que pediu dinheiro ao empresário, mas negou qualquer irregularidade.


A repercussão provocou divergências entre os envolvidos na produção do longa. O deputado federal Mário Frias (PL), produtor-executivo do filme, e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas afirmando que o projeto não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou do Banco Master. Segundo Frias — que voltou atrás naquilo que dissera —, Flávio não possui participação societária na obra e apenas cedeu os direitos de imagem da família Bolsonaro para a produção cinematográfica.


A produtora também alegou que contratos de confidencialidade impedem a divulgação dos nomes dos investidores e repudiou tentativas de associar o projeto a investigações envolvendo o banqueiro. Frias afirmou ainda que a produção vem sofrendo “ataques direcionados” desde o anúncio do longa.


Apesar das negativas, relatórios de inteligência financeira do Coaf apontam que a empresa Entre Investimentos, citada como intermediadora de repasses para o projeto, recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal (PF) por suposta participação em fraudes ligadas ao Banco Master. Até o momento, não há confirmação sobre quanto desse montante teria sido efetivamente destinado à produção de Dark Horse.


Vorcaro está preso sob suspeita de comandar um esquema de fraudes financeiras investigado pela PF, com prejuízo estimado em até R$ 12 bilhões. Empresa que monitora as redes sociais em tempo real e avalia as menções a todos os pré-candidatos à Presidência da República, a AP Exata revela que Flávio já sofreu perda de credibilidade em larga escala. O volume de menções negativas subiu de forma abrupta, com alta de sete pontos percentuais. Hoje, 64,7% do que se fala sobre ele nas redes é negativo. Trata-se do pior índice entre os candidatos monitorados e o pior patamar registrado por Flávio desde que se lançou como candidato.


A perda de confiança também é significativa. No caso de Flávio, ontem, o índice de confiança chegou a apenas 13,6%. Em volume geral de menções, o senador é hoje o presidenciável mais citado nas redes, com 25% do total. Em segundo lugar aparece Romeu Zema, com 23,4%, seguido de Lula, com 21,5%. Renan Santos registra 11,9%, enquanto Ronaldo Caiado mantém presença mais regionalizada, com 7,9%.


Luiz Carlos Azedo é jornalista, analista político, escreve para o Correio Braziliense 


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

19maio2026

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