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COLUNA CAMAÇARICO


Prefeitura de Camaçari amplia precarização do trabalho, achata salário e ainda atrasa pagamento


Terceirização já na Cidade do Saber deve atingir a Casa da Criança e o Conviver de apoio a idosos 


Senador Wagner sugere taxa de condomínio no Minha Casa que sequer possui programa de construção de vínculos básicos 


 


Teoria e prática A gestão do alcaide de Camaçari, Luiz Caetano (PT), segue desconstruindo seu discurso de palanque de defesa dos trabalhadores e seus direitos. Movimento de ampla terceirização e precarização de vínculos na estrutura municipal já começa a exibir sinais negativos graves.  


Teoria e prática 2 Nesse processo de pejotização, que transforma o trabalhador num mero prestador de serviço, sem praticamente nenhuma garantia trabalhista, a prefeitura completa o ciclo com o atraso dos salários desses terceirizados. Segundo apurou a Coluna, os educadores da Cidade do Saber (CDS), seguem com salários atrasados. Apenas um dos dois meses trabalhados e não pagos foi quitado no final da semana passada, portanto mais de 70 dias de atraso.


Teoria e prática 3  O salário e a carga horária incompatíveis com a atividade de educador completam esse quadro de injustiça deliberada. Modelo obriga o trabalhador a emitir nota fiscal e pagar imposto de forma antecipada sobre uma remuneração mensal de pouco mais de 1,5 salário mínimo por uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.


Teoria e prática 4 Paradoxalmente, a CDS inaugurada na segunda gestão do petista (2005/2008) e anunciada como ´farol` da inclusão pela cultura, esporte e conhecimento, inaugura esse modelo que começa a se espalhar por outras estruturas antes preservadas desse processo tão criticado por Caetano e seu grupo político.


Teoria e prática 5 Modelagem já em vigor na CDS, gerida pela Secretaria de Cultura (Secult), avança e tem previsão de terceirização da mão de obra em outras importantes estruturas de apoio à população carente do município.


Teoria e prática 6 A Casa da Criança e o Conviver, sob a responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Ação Social e Cidadania (Sedes) são os próximos a adotar o formato. A Casa da Criança está com as atividades regulares suspensas desde o começo do ano. São cerca de 300 jovens, boa parte deles especiais, sem aulas de música, coral e dança, com a demissão de todos os seus educadores.


Teoria e prática 7 Já o Conviver, espaço de acolhimento de idosos, fechado desde o ano passado e reaberto em abril de forma precária e sem sua equipe de profissionais, também adotará o mesmo processo de desmonte das conquistas dos trabalhadores.


Teoria e prática 8 Destaque negativo da gestão 04 do alcaide Caetano, a Sedes virou um foco de problemas. Supera com folga a não menos confusa gestão da antecessora, a doutora Renoildes Oliveira, última titular da pasta em todo o segundo governo (2021/2024) do alcaide Antonio Elinaldo (União).  


Teoria e prática 9 Comandada pela doutora Jeane Gleide, pasta também exibe recuos significativos no Centro Pop, unidade de apoio e acolhimento à população em situação de rua.


Teoria e prática 10 Sem ´tomar pé` desde o começo da gestão, e com permanência assegurada, ao menos até as eleições, a secretária fecha seu ciclo de retrocesso com problemas de gestão no Cras e Creas.


Teoria e prática 11 Sem estabelecer uma conexão com os experimentados técnicos da pasta, a secretária termina comprometendo toda a estrutura que forma a espinha dorsal da Sedes.


Teoria e prática 12 O resultado são falhas nos programas de apoio e acompanhamento a indivíduos e famílias com direitos violados por violência física, psicológica, sexual, abandono ou trabalho infantil, responsabilidades dos Creas. 


Teoria e prática 13 Gestão confusa também penaliza famílias em situação de vulnerabilidade atendidas com cestas básicas e outros benefícios distribuídos pelos Cras. 


Teoria e prática 14 A imexível secretária se aproxima dos 17 meses de gestão com resultados muito aquém das metas de implementação das políticas públicas obrigatórias do Sistema Único da Assistência social (Suas), mantido com recursos federais. É com esse “conjunto da obra” que atinge de forma certeira seu grupo político com naturais reflexos no humor do eleitor nas urnas de 4 de outubro.


Olhar O senador Jaques Wagner (PT) foi longe, durante a entrega de imóveis do Minha Casa, na última quinta-feira (14), em Camaçari. Testemunhado pelo presidente Lula, o ex-governador da Bahia (2007/2015) defendeu a criação de um “condomínio” para que os moradores do Residencial Verdes Horizontes I e II assegurem benefícios mínimos com a formação de um reserva de recursos para a realização de eventos e serviços.


Olhar 2 Mesmo com a maioria da população sem conseguir fechar as contas do mês, como mostram todas as pesquisas sobre o endividamento do brasileiro, o senador até citou o “rico” e “o pessoal da classe média”, outro segmento alojado no mapa da inadimplência, como exemplos de organização. 


Olhar 3 Wagner arriscou até um valor: “20 paus, 30 paus, 40 paus” mensais por morador para formar esse caixa que bancaria a ´festa de Natal` e  outras atividades como um  ´campeonato de dominó`.


Olhar 4 Ainda sob o olhar atento de Lula, Wagner completou sua sugestão lembrando que essa reserva poderia garantir a troca de uma lâmpada queimada na rua, ou o plantio de uma árvore. Ainda segundo ele, esse fundo gerido por um CNPJ (pessoa jurídica) evitaria o desgaste de ficar “toda hora pedindo ao prefeito” a realização do serviço. 


Olhar 5  O Residencial Verdes Horizontes I e II não deve seguir realidade diferente dos demais conjuntos do programa federal de moradias populares existentes em Camaçari. 


Olhar 6  Faltam transporte, escola perto, segurança, posto de saúde, e um programa de apoio a esses moradores, muitos vindos de comunidades distintas e moradias diferentes das casas germinadas e apartamentos que exigem conservação e novas formas de convivência.


Olhar 7 O poderoso líder do governo no Senado, confidente e conselheiro do presidente Lula pode dar importante ajudinha antes da sua sugestão no campo da teoria econômica. A ideia da cotização condominial precisa ser precedida pela construção de vínculos básicos, sentimento de pertencimento e de coletividade nessa nova moradia. Sem um programa de apoio nessa construção, com o aproveitamento de moradores, independente de faixa etária e seus saberes, não tem conta que feche. 


João Leite Filho joaoleite01@gmail.com – Editor


18maio2026 Fechamento: 17h55

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