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Zedejesusbarreto no Colunistas: Jogos e jogadas do Mundial da Bola


José de Jesus Barreto é jornalista, pesquisador, autor de livros e escrevinhador

Historiando as Copas II


Bastidores dos Mundiais de futebol


Capítulo 1 – O Pré-Jogo   Foram os jovens ingleses do séc XIX, em plena Revolução Industrial, que decidiram nas faculdades/escolas britânicas ‘organizar o baba’ (o ‘baba’, baianês, é a pelada, o racha), criando, estabelecendo as regras do jogo e formatando as primeiras competições esportivas do esporte, o chamado ‘foot ball’ (jogo de bola com os pés). O ‘Reino Unido’ se orgulha disso, os ingleses tratam o futebol como parte significativa de sua cultura. E esse fascinante jogo de bola com os pés espalhou-se pelo mundo.


Relendo a história  A despeito de terem sido os ingleses que ‘inventaram’ o futebol como esporte, definindo suas regras e tudo mais, sejamos justos, foi um francês que lutou para criar uma competição mundial do futebol.  E isso gerou demandas e ciumeiras por décadas, os ‘súditos da rainha’ nunca engoliram os franceses, também nesse campo de disputa e fazeres.  


Há registros, de época, de uma primeira reunião entre jovens de clubes e escolas londrinas, com data de 26 de outubro de 1863, com o objetivo de estabelecer regras claras, objetivas para o jogo de bola – desde as dimensões e marcações do campo, traves, balões de couro, às refregas do jogo. 


Mas, contam, foi tanta confusão nessa reunião que, no final das rusgas, criaram duas ligas distintas: - uma de rúgbi (aquele da bola oval), que já era bem popular, e outra do chamado ‘Football Association’, com um balão de couro bem redondo. 


Foi essa liga, do ‘association’ que elaborou as primeiras regras, impressas em cartilhas e distribuídas nas escolas e clubes ingleses. Logo essas cartilhas chegaram a outros países europeus e, já no início do Séc XX, acirravam-se as disputas e rivalidades entre as fronteiras internacionais. 


A realização e demanda de jogos entre times de países diversos geravam brigas, dentro e fora das chamadas ‘quatro linhas’, a rivalidade crescente entre as nações. Isso, certamente, deu o mote, acelerou a necessidade, a urgência de se criar uma entidade internacional para gerir o esporte, antes do alastramento de tragédias humanas nas disputas. 


Assim, em 21 de maio de 1904, foi fundada a FIFA, Federação Internacional de Futebol Association, com a participação inicial da França, Holanda, Espanha, Bélgica, Dinamarca, Suécia e Suíça. Os ingleses, nariz empinado, não participaram e fizeram ‘beicinho’. 


A FIFA e o sonho da Copa    Em 1905, no chamado Congresso de Paris, outros países se integraram à FIFA, inclusive a soberba Inglaterra, depois de tentar criar, sem êxito, uma entidade própria. Além dos ingleses, Alemanha, Áustria, Hungria e Itália. 


A entidade se consolidava, sob liderança francesa. Nesse mesmo congresso, em votação, os países membros da FIFA decidiram criar um torneio internacional, que empoderaria a entidade, com o nome de Copa do Mundo. A entidade abriu inscrições para a realização da primeira Copa, mas em princípio, até por conta dos conflitos políticos no continente, nenhum país mostrou interesse. 


Vale esclarecer que o futebol já fazia parte dos Jogos Olímpicos Modernos, desde a sua primeira edição em 1896, mas eram, em princípio, apenas jogos de exibição. O futebol olímpico competitivo aconteceu pela primeira vez na edição de 1908, com reconhecimento da FIFA. Os ingleses, óbvio, venceram esses jogos olímpicos, pois eram os únicos que conheciam e praticavam decentemente as regras por eles criadas. 


Os planos de realização da primeira Copa do Mundo  de futebol reacenderam na FIFA em 1914, mas logo foram atropelados com a explosão da Primeira Grande Guerra (de 2014 a 1918) que desgraçou, devastou o continente. 


Depois da guerra, a Europa respirando, mesmo que sob tensão, o novo presidente da FIFA, o francês Jules Rimet realizou o Congresso de Amsterdã, em 1928, oficializando a realização da primeira Copa do Mundo de Futebol, em 1930, determinado a realização da competição a cada quatro anos, em países diferentes. Sob a liderança de Jules Rimet, pois, estava dado o pontapé inicial das copas. 


Escolha do Uruguai  Por critérios esportivos, políticos e econômicos o Uruguai foi o país escolhido para sediar a primeira competição (em 1930). A seleção do Uruguai, com sua camiseta azul celeste (daí vem nome ‘Celeste Olímpica’), acabara de vencer duas olimpíadas seguidas, as de 1924 e 1928), na bola. O Uruguai comemorava seu centenário de emancipação política, um país distante, para os europeus, mas próspero e politicamente estável, sem sequelas nem ameaças de guerra, como a Europa. 


Por fim, a Associação Uruguaia de Futebol bancou, pagaria as despesas das delegações visitantes - coisas que os países concorrentes a sediar o evento, como Itália, Espanha, Hungria e Suécia, não tinham condições da fazer por conta dos estragos da guerra, que mal acabara, e do clima de outra grande guerra, e mais penúrias, que se avizinhava. 


O Uruguai, pois, nosso vizinho do Sul, foi o primeiro país a abrigar uma Copa do Mundo, em 1930. E venceu, tornou-se o primeiro Campeão do Mundo de futebol, título único, ninguém mais possui, orgulho nacional. 


Todas as honras, pois, à Celeste Olímpica. Outro capítulo, outra história.  


Tem muito mais     “Historiando as Copas’, de zedejesusbarreto, lançado em 2023 pela OjuOBá Editora, à venda pela Amazon – uma resenha contextualizada de todas as 22 edições da Copa do Mundo, da primeira (no Uruguai, em 1930) à derradeira, em 2022, a Copa de Messi no Catar/Mundo Árabe. Recomendamos. É uma obra indispensável aos que gostam e lidam com o futebol.


Zedejesusbarreto José de Jesus Barreto é jornalista, pesquisador, autor de livros, e escrevinhador com larga experiência na imprensa baiana, nacional e com trabalhos fora do país


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

19abril2026

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