Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que os setores de comércio e serviços teriam impactos bilionários com a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Segndo o levantamento, os setores terião mais custos de operação com consequente aumento dos preços finais ao consumidor.
Segundo a CNC, esse percentual que pode chegar a 13%, é estimado pela entidade dos patrões em R$ 122,4 bilhões por ano após a mudança nas regras de trabalho.
O impacto médio nas folhas salariais do setor comercial seria de 21% com o acréscimo de despesas. Nos serviços, o efeito econômico do fim da 6x1 seria ainda maior,. A estimativa é de R$ 235 bilhões de pressão sobre o setor.
O setor do turismo seria o mais afgetado, com custos aumentados em cerca de 54%, já que a estrutura desse segmento dificulta adequações e automações. O setor pode ter impacto de 631 mil postos de trabalho a menos em um médio prazo.“No turismo, não existe operação totalmente eletrônica. O setor é intensivo em mão de obra e funciona continuamente. Qualquer rigidez na jornada compromete a oferta e a qualidade do serviço”, disse o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes.
O estudo da CNC também mostra a possibilidade de redução da jornada com geração de novas contratações para repor a produção. O estudo da CNC indica a necessidade de mais de 980 mil novos empregados para manter os horários e turnos que existem atualmente nas empresas de serviços e comércio. O problema, de acordo com a CNC, seria a falta de mão de obra qualificada suficiente e o aumento de custos empregatícios que essas novas vagas causariam.
Atualmente, três PECs (Proposta de Emenda à Constituição) que tratam da redução de jornada de trabalho estão em debate no Congresso.
A proposta mais antiga é do Senado Federal. Ela está pronta para votação no plenário, e determina redução imediata para 40 horas semanais (escala 5x2), além de nova queda escalonada em quatro anos até 36 horas semanais (4x3).
A PEC mais recente está na Câmara e implementa a jornada 4x3 sem transição (totalizando 36 horas por semana). Também na Câmara, outra proposta já tramita desde 2019 e prevê a diminuição gradual da jornada atual de 44 horas semanais até alcançar as 36 horas em um prazo de 10 anos.