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Edson Miranda no Colunistas: A política e a captura do Carnaval


Edson Miranda é jornalista, publicitário e professor universitário

Abram alas para a psicanálise entrar!

A última instituição que faltava enlouquecer no Brasil era o Carnaval, mas, tudo indica, este ano de 2026, a folia de Momo pirou de vez. Vejamos dois importantes sinais: brigas e disputas entre grandes artistas e puxadores de blocos em Salvador e, no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, a captura da dimensão emancipadora da arte, principalmente seu sentido de inversão da oficialidade.

A captura escancarada e despudorada da irreverência artística, pelo pior da política brasileira --- sua face eleitoreira, onde normalmente se enraíza o culto à personalidade e, também, o populismo mais barato --- ao fim e ao cabo, nos conduzirá a um maior fechamento das possibilidades de emancipação popular, pois esta só pode acontecer no jogo criativo da transgressão e não na sua caricatura; ou ainda, numa exceção e numa espécie de falha quase invisível na ordem do mundo oficial, onde a vida coletiva se encontra mergulhada na repetição ou barrada pela repressão estatal. 


O que presenciamos no Rio de Janeiro foi exatamente o seu contrário, foi a exaltação da oficialidade, do seu discurso, narrativa, método. Foi uma regressão patrocinada pelas ditas "esquerdas" e típica das piores "direitas".

O século XXI parece, será o século de Lacan, pois já vivemos nas derivas, divisões e clivagens previstas por ele. Também, tudo indica, seu pensamento pode nos levar a combatê-las e encontrar uma saída nesse túnel atual onde nossos conflitos e sofrimentos, principalmente mentais, se avolumam.

Apesar de muitos críticos enxergarem em Lacan um indivíduo conservador na política, seu pensamento ambíguo e, também, o conjunto da sua obra, nos remete a uma dimensão revolucionária --- uma revolução que começa em nós, no próprio indivíduo. Talvez, a revolução nunca aconteça apenas pela Política, como normalmente imaginamos há séculos, mas pela ligação,, pelo imbricamento entre Política e Psicanálise, por exemplo.

Sua psicanálise não propunha uma cura, mas, uma travessia que pudesse nos reconduzir ao ponto do Real do qual nos afastamos e, por isso mesmo, sofremos e apostamos no Grande Pai para curar nossas dores passadas, presentes e futuras.

Não espere sofrer mais ou "quando precisar" para fazer sua psicanálise, pois a psicanálise não é para "quando precisamos", mas para nos ajudar nessa grande travessia de nós mesmos. Para ajudar, sem cura completa, a enfrentar e superar nossos próprios monstros.

O Brasil chegou no ponto ideal para uma psicanálise coletiva. Só não podemos deixá-la a cargo dos partidos políticos nem dos Grandes Pais da atualidade política, pois, certamente, vão corrompê-la e deixar a todos mais loucos e cegos.

Comece já, agora, após esse despirocado Carnaval! (rsrsrs)  Êh, Brasil doido!

Edson Miranda mbedson@gmail.com é jornalista, professor universitário e escreve no blog do Miranda  


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

19fevereiro2026

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