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José Carlos Teixeira é jornalista e especialista em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública

Tem medo? Saiba que não está sozinho: metade dos moradores de Salvador também anda amedrontada


“Já não aguento mais essa onda de violência
Só peço, autoridade, um pouco mais de competência
Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci”
(Rap da Felicidade, de MC Cidinho e MC Doca)


Muitos baianos não mais saem à noite para jantar fora, visitar um parente, assistir a uma peça de teatro, ver um show ou simplesmente encontrar-se com amigos para um rápido social. Alguns cortaram até mesmo a ida ao boteco da esquina para beber umas cervas e jogar conversa fora com a turma da rua. É um pessoal que decidiu trancar-se em casa mal a noite cai para não correr riscos.


Caso o amável leitor e a gentil leitora façam parte dessa turma amedrontada, saibam que não estão sozinhos: já em 2021 cerca de 25% dos baianos com 15 anos ou mais não se sentiam seguros no bairro onde moravam. No caso de Salvador, a situação era ainda pior: nada menos que 49,5% dos moradores da capital tinham medo de andar no bairro onde residiam. E 11% não se sentiam seguros nem mesmo dentro da própria casa.


Os números são da publicação “Síntese de Indicadores Sociais 2023 – Uma análise das condições de vida da população brasileira”, lançada esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Referem-se aos dados obtidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) realizada em 2021 e que, pela primeira vez pesquisou a sensação de segurança da população.


Um novo levantamento certamente apontará um crescimento na sensação de insegurança da população da Bahia, considerando-se o aumento da violência e a o avanço da criminalidade registrados nos dois últimos anos. Só para comparar: em 2021 os baianos ainda não conviviam com balas perdidas e tiroteios (até mesmo em áreas de classe média da capital) e a ocupação de áreas de Salvador e cidades do interior por facções de traficantes apenas se iniciava.


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E para fechar a coluna: não riam, pois não é caso de riso, mas no último fim de semana ladrões invadiram a delegacia de polícia de Ituberá, pequeno município de 21 mil habitantes, no Baixo Sul, a 162 quilômetros da capital (via ferryboat). Levaram duas pistolas e munição. Foi o terceiro roubo nos últimos meses.


Rápido no gatilho, o governador Jerônimo Rodrigues, tão logo foi informado do caso, exonerou a delegada Patrícia Pinheiro Crisóstomo do cargo. É que ela havia postado um vídeo nas redes sociais mostrando a fragilidade do aparato policial que comandava e explicando que sozinha não tinha condições sequer de dar segurança à própria delegacia.


O governo anunciou que nos próximos meses vai inaugurar uma moderna delegacia de polícia em Ituberá. Pouco vai adiantar se não aumentar o efetivo policial da cidade, hoje limitado a um agente policial e um escrivão, já que o cargo de delegado ficou vago. Nessa conta não entra um funcionário administrativo cedido pela prefeitura.


José Carlos Teixeira  zecarlosteixeira@uol.com.br é jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública pela UniversidadeCatólica do Salvador


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

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