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Marinalva Cruz


A natureza e a febre amarela



Estamos vivendo tempos de muita informação e pouco esclarecimento. Nada de achar que a febre amarela é transmitida pelos macacos, aves e outros animais! Se assim for afirmado e essa notícia começar a ser difundida, vamos causar um sério desequilíbrio na natureza. A febre amarela é transmitida pela picada de insetos. No perímetro urbano ela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypt. O mesmo mosquito que transmite a dengue.


Os micos, macaquinhos, que habitam as áreas, próximas aos centros urbanos, além de outras tantas funções na natureza, são bioindicadores. São eles, que estão morrendo de febre amarela, doença que há muito tempo não aparecia no meio urbano. São animais importantes e tanto quanto outros devem preservados. Eles são sensíveis à todas as anormalidades que ocorrem no meio ambiente e quando há alterações na natureza, toxicidade, radioatividade,  epidemias, entre outras, os animais silvestres, são os primeiros a emitirem sinais. Por isso a importância da manutenção das florestas e da arborização urbana. Elas garantem abrigo e alimento para a permanência da fauna local, fundamental no controle biológico.


Apesar dos esforços da mídia, na divulgação dos resultados, no que diz respeito a mortalidade de macacos, deveria haver maior ênfase em explicar a forma de contaminação da doença. É importante que se divulgue como se dá o ciclo biológico do causador da doença. O tempo dado às explicações na matéria jornalísticas talvez não seja suficiente, pois não está promovendo o esclarecimento necessário.


A prova disso é que, cinco minutos após uma matéria ser veiculada em um certo jornal de televisão, uma pessoa me ligou, para saber como exterminar os micos. Simplesmente não entendeu nada e estava com medo de uma epidemia.”


Isso é uma alerta para para os gestores da cidade e para a população de Camaçari, uma vez que, no perímetro urbano ainda há remanescente de floresta. O Anel Florestal, o Horto Florestal Municipal e praças são espaços necessários, pois abrigam a fauna urbana bastante diversificada. Nestas áreas podemos encontrar várias espécies de aves, pequenos mamíferos e répteis, espécies que têm a função de controlar a proliferação de insetos e vetores de doenças.


O município é bastante extenso, rico em biodiversidade! Os ecossistemas existentes fazem parte do bioma Mata Atlântica. São os manguezais, os campos úmidos, as matas de restinga, dunas e praia.


O desenvolvimento em ritmo acelerado da cidade, submetida a ser acessório da capital, tem sobreposto a todo custo os cuidados que deveriam ser dispensados ao ambiente que vivemos. O desmatamento, as queimadas e as ocupações desordenadas, têm causado grandes prejuízos ao patrimônio ambiental. Não é possível permitir a ocupação dos espaços urbanos, sem que hajam pontos de equilíbrio entre crescimento econômico e a sustentabilidade. 


Marinalva Santos da Cruz cruzsamari@gmail.com é Bióloga e coordenou o núcleo de meio ambiente da prefeitura   


 
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