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Raimundo Diacono


Ecologia integral e princípios éticos do cuidado



Na tradição cristã, Deus é apresentado como um Ser absoluto, a narração bíblica nos revela que Ele estabelece com o ser humano uma relação pessoal. É Cristo, “Verbo de Deus que se faz carne – homem,” que vai revelar plenamente a pessoalidade de Deus ao tratá-lo como Pai e o revelar na sua própria Pessoa. A criação em toda sua perfeição, mistério e beleza é fruto da interioridade bondosa deste Deus absoluto e inteligente, que, ao estabelecer uma relação definitiva com os homens em seu Filho, cria um momento profundamente ético, na relação, Deus, homem e natureza.


Em se tratando de ecologia integral o Papa Francisco nos diz: “Nunca é demais insistir que tudo está interligado. O tempo e o espaço não são independentes entre si; nem os próprios átomos ou as partículas subatômicas podem ser consideradas separadamente. Assim como os vários componentes do planeta – físicos, químicos e biológicos – estão relacionados entre si, assim também as espécies vivas formam uma trama que nunca acabaremos de individuar e compreender. ” (LAUDATO SI; parágrafo; 138, página; 113).


A ética do saber cuidar; exige um contemplar de toda a vida como um imenso mistério, o ser humano precisa se contemplar com um, interligado a todo o universo, sua beleza e harmonia misteriosa. Consciente de que o maior e mais belo mistério é a vida, porém; hoje tão ameaçada e tão desvalorizada, que o ser humano está perdendo todo o seu sentido ético.


Ainda se falando do “cuidado da casa comum”; podemos estabelecer dois ideais. A saber que ideais se coloca aqui como a busca incessante do aperfeiçoamento das relações.


O primeiro: ideal é o da “defesa e promoção do bem comum,” há dois princípios da justiça social a saber: primeiro; “a distributiva: ” compreendendo que se a terra é propriedade de Deus, sendo nós e não somente nós, mas todo um ecossistema dela inquilinos, os bens naturais são para uso fruto de todas as espécies de vidas que ela abriga, portanto a ninguém deveria ser dado o privilégio de propriedade, para o uso de interesse e riqueza pessoal. Porém este ideal está fora dos padrões da sociedade atual o padrão da sociedade atual é do bem e do interesse pessoal. O segundo princípio e o da justiça social é: “comutativa: ” que diz respeito aos meios de produção e ao trabalho, como um caminho para distribuição de riqueza construída a partir da transformação tecnológica dos bens naturais em bens de consumo, que de maneira ética e consciente deve estar serviço e promoção da vida de todos os que as geram principalmente o trabalhador.


O segundo ideal: é o da “justa medida: ” essencial para encontrar o equilíbrio entre produção e consumo, de maneira tal que o homem entenda que a maior riqueza está não em possuir muito, no acumular bens e propriedades, mas na partilha. Mais uma vez este ideal não faz parte do padrão da sociedade em que vivemos. Somos excessivos em tudo: há na mídia um espaço cada vez maior pressionando a um ritmo cada vez mais frenético de produção e consumo desenfreado, há um egoísmo e ambição muito arraigado no sentimento da sociedade moderna, que nos leva ao caos, que se estabelece na banalização e agressão a vida, manifesta nas mais variadas formas de violência, destruição das mais variadas espécies de vida da natureza e esgotamento da Terra.


Os princípios éticos do cuidado a serem vivenciados como ponto de partida para uma postura prática da CF 2017 com vista a estabelecer a preservação e conservação dos biomas brasileiros e cuidar da criação, encontra seu fundamento na mística e espiritualidade nas quais podemos contemplar o mistério da vida e toda sua transcendência.


Deve ser estabelecido como princípio do cuidado; “a compaixão: ” condição para cada vez mais estreitar uma relação amorosa com a Terra e tudo o que dela emana, capaz de prevenir danos futuros e resgatar danos passados, bem como desenvolver um sentimento humanitário de cuidado e preservação dos bens da casa comum.


Mais princípio do cuidado é o do; “respeito:” que deve ser evidenciado como uma atitude de promoção da dignidade da própria vida, frente a do outro e a de todos seres da natureza, como condição essencial a manter uma relação íntegra e harmônica.


Um outro princípio do cuidado é da; “ responsabilidade: ” como uma forma de empregar todos os esforços possíveis e tecnológico a serviço da produção sustentável, em convivência e respeito com a natureza, bem como desenvolver tecnologia e esforços a recuperar danos provocados ao meio ambiente, e empregar mecanismos principalmente de mídia, que possibilitem a divulgação da cultura do consumo consciente.


Ainda um princípio do cuidado; “a solidariedade: ” na antiguidade esta ajudou o homem a dar um salto nas relações; da animalização para a humanização, este é o princípio da partilha tão urgente numa sociedade do acúmulo e do individualismo. Tão necessária superação de uma economia mercado que se baseia na competição onde poucos lucram, para um outro modelo que permita maior equidade na partilha das riquezas e onde os recursos naturais sirva ao bem de toda a humanidade, deve também despertar na humanidade um sentimento universal de pertença e proteção da vida no planeta e assim sermos fieis a vontade do Criador.


Raimundo Diácono raisanlima@hotmail.com é membro da Igreja Católica e ex-coordenador do programa municipal Orçamento Participativo de 2006 a 2011, em Camaçari


 
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