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Carlos Silveira


13 Anos de História do Movimento Popular de Camaçari 1977/1989 (5)



Como já tivemos oportunidade de lembrar em 1978 houve eleições para Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa, os comunistas apoiaram respectivamente Rômulo Almeida, Elquisson Soares e Aurélio Miguel. A campanha em Camaçari foi dura, com demissões de professores, falta forçada de iluminação pública, intimidações, ameaças, perseguição de toda ordem.


Ficamos conhecidos como “os comunistas”, isto e mais a nossa bravura na defesa dos trabalhadores, no combate as oligarquias municipais e o combate a ditadura militar, atraiu não só atenção dos órgãos de repressão para nossa presença, mais atraiu a atenção de uma pessoa, que depois ficamos sabendo ser muito importante na luta revolucionária no Brasil desde 1935.  Esta pessoa nos observava nas nossas atividades, nas panfletagens, nos comícios, gostava de dialogar comigo. Me tinha uma especial atenção.


Um dia me convidou até a sua casa no bairro do Natal, me apresentou a sua filha Yaponira, uma jovem bonita e sua esposa Lilita, uma senhora de meia idade.  Me recebeu meio sem jeito em sua humilde casa de apenas três vãos, sem rebocar por dentro e por fora, queria saber mais informações sobre quem era eu o que fazia, de que eu vivia. Outras vezes nos encontramos em 1978. Fui umas duas ou três vezes em seu trabalho, no Comércio, nas proximidades do Plano Inclinado, em frente a Livraria Enoc Silva, em um sobrado de cor amarela, no segundo andar.


Ele passava a semana trabalhando em Salvador, sexta-feira vinha para Camaçari e retornava na segunda logo cedo, seu oficio era ser SAPATEIRO, depois de muitas conversas, de muitas idas e vindas me falou de seu passado de comunista, porém não se abria muito, vivia clandestino desde 1935, se apresentou como Eduardo  Pereira da Silva, o Eduardo Sapateiro. Em 1979 ainda visitei Eduardo Sapateiro duas vezes, pude uma vez dar carona de Salvador para Camaçari, oportunidade onde o mesmo me convidou mais uma vez para ir a sua residência onde me falaria sobre sua vida passada, naquele dia não pude ir. Quando um tempo depois o procurei não mais o encontrei, como também não o encontrei mais em Salvador próximo ao Plano Inclinado.


Em 1985 foi lançado o livro Praxedes: Um Operário no Poder, como subtítulo: A Insurreição Comunista de 1935 vista por dentro, de autoria de Moacyr de Oliveira Filho, editado pela Alfa-Omega. Este livro conta a história de Eduardo Sapateiro ou melhor de José Praxedes de Andrade, ou ainda conta a historia da Insurreição Comunista de 1935 no Rio Grande do Norte, na sua capital Natal.


As informações foram trazidas por um dos mais importantes protagonistas, José Praxedes.


...foi um dos principais articuladores do governo Popular Revolucionário que, em novembro de 1935, em Natal, instalou durante quatro dias a primeira e única experiência de um governo comunista no Brasil.


De 23 a 27 de novembro de 1935, o Brasil viveu a primeira e única experiência de um governo comunista, foi chamada de a Insurreição Comunista. José Praxedes de  Andrade, sapateiro, secretario de aprovisionamento do Governo Popular revolucionário e membro da direção regional do Partido Comunista do Brasil. Neste livro Praxedes conta a sua historia, em fim sai da clandestinidade de mais de 47 anos. Faleceu em 11 de dezembro de 1984, em Mapele, município de Simões Filho – Bahia. 


Carlos Silveira cabras@contratosc.com.br é advogado, empresário contábil, secretário municipal de Cidadania e Inclusão e fundador do PT de Camaçari


 
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