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Joarleson Reis


O conto do ladrão-gay e da repórter engraçadinha



Mais uma vez a emissora Band dá um show de preconceito. Terça-feira (03/04) foi exibida uma matéria ( veja link abaixo) sobre um flagrante de um assalto a ônibus em Salvador, mas toda a notoriedade do crime foi ofuscada pelo “ladrão gay”, um rapaz que foge completamente ao estereótipo convencionado do homossexual, mas fez declarações de amor ao seu namorado enquanto era entrevistado. 


De fato até eu fiquei estarrecido com o que vi, porém a surpresa não justifica o rumo tomado pela matéria. A repórter em postura completamente questionável ri do detento enquanto o induz a falar do seu relacionamento, o conduzindo à ridicularização,  pedindo que ele conte detalhes sobre o rapaz com quem se diz casado, que cante músicas e solte beijos para ele, “-como a Xuxa faz” disse ela , fazendo deste fato uma pornochanchada  que fere não apenas a dignidade do detento e do seu companheiro, mas de todo um grupo. Sim, porque eu como homossexual não vi graça nenhuma no que foi feito às declarações de amor do sujeito. 


A palhaçada não pára por aí. A matéria exibida a noite em rede nacional é recheada de edições com o rapaz soltando os tais beijos, músicas românticas e closes de caras e bocas. Imagino que os outros meliantes ficaram muito chateados por terem seus minutinhos de fama roubados.


Fico muito triste com o rumo do jornalismo brasileiro. Aqui quem vos fala não é apenas um gay assumido comprometido com a causa do bem coletivo para este grupo, mas sim um profissional de comunicação que não acha nenhuma graça na humilhação de presos, não acha bonito o show do assistencialismo a famílias carentes, o endeusamento dos apresentadores que vivem de mostrar corpos em decomposição enquanto você almoça com sua família, e, que se dizem sem preconceitos, mas esfregam na sua cara valores deturpados e você os absorve como verdade absoluta. 


É decepcionante perceber que a comédia não é mais restrita aos programas de humor, agora podemos ser expostos ao ridículo a qualquer momento justamente por quem deveria ser verdadeiro e imparcial. Mas é assim mesmo, estamos no Brasil negada! Se temos um palhaço como deputado federal por que não podemos ter alguns nos telejornais? 


Entretanto, se produzem este jornalismo de pão e circo é porque há consumidores para seu conteúdo, então o problema não está em quem informa, mas sim em quem é informado? Este é um bom questionamento. Para mim é tudo um grande círculo vicioso, ninguém quer mais formar cabeças pensantes no Brasil e se alguém se atrever a fazer uma revolta de quociente de inteligência é rapidamente apanhado pela inquisição da caterva. 


Joarleson Reis anascaf@yahoo.com.br / Twitter:@jbreis - é estudante de Comunicação Social


Link da matéria: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gNpewzYUe5w


 
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