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Fredson da Rocha


Cartola, o poeta do samba



Argenor de Oliveira, Cartola, nasceu no bairro do Catete, Rio de Janeiro, em 1908 e morreu de câncer em 1980. Aos 11 anos passou a viver no bairro da Mangueira, de onde não mais se afastaria. Desde pequeno participou de festas, tocando cavaquinho que aprendera com pai nos desfiles do dia de Reis, em que suas irmãs saiam em grupos de pastorinhas.

Cartola passou por diversas escolas e conseguiu apenas terminar o curso primário, mas aos 15 anos, depois da morte de sua mãe, deixou a escola e a família para iniciar sua vida de boêmio. Depois de trabalhar em várias tipografias, empregou-se como pedreiro, assim vindo o seu apelido de Cartola, pois usava sempre um chapéu, para impedir que o cimento sujasse a cabeça.

Em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, que seria o seu mais constante parceiro em suas composições, funda o bloco dos Arrengueiros. Da ampliação e fusão deste bloco, com outros existentes do morro, surgiu em 1928, a 2ª escola de samba carioca: Estação Primeira de Mangueira, fundada em 28 de abril de 1928, que teve seu nome e as cores verde e rosa escolhidos por ele. Para o 1º desfile foi escolhido o samba “Chega de Demanda”, o 1º que fez, composto em 1928 e só gravado pelo compositor em 1974, no Lp: Histórias das Escolas de Samba.

No inicio da década de 1940, com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres, formou o Conjunto Carioca, que durante um mês se apresentou em São Paulo, num programa da rádio Cosmo. Nessa época o sambista desaparece do ambiente musical. Muitos pensavam até que tinha morrido. Chegou-se a compor samba em sua homenagem.

Em 1948, a Mangueira sagrou-se campeã com seu samba-enredo Vale do São Francisco. Assim só foi redescoberto em 1956, quando o cronista Sérgio Porto, o encontrou lavando carros em uma garagem de Ipanema, e trabalhando à noite como vigia de edifício. Sérgio o levou a cantar na rádio Mayrink Veiga e, logo depois, Jota Efegê arranjou-lhe um emprego no jornal Diário Carioca. A partir de 1961, já vivendo com Dona Zica, com quem se casou mais tarde, sua casa tornou-se ponto de encontro de sambistas.

Já em 1964, junto com sua esposa, resolveu abrir um restaurante, o Zicartola, na Rua da Carioca, que oferecia além de boa cozinha administrada por Zica, a presença constante de alguns dos maiores sambistas do morro. Frequentado também por jovens compositores da geração pós-bossa-nova, o Zicartola tornou-se a moda época.

Dona Zica foi fundamental na carreira de cartola. Na época em que moravam juntos, Cartola compôs: As Rosas Não Falam, Nós Dois, e O Sol Nascerá (parceria com Elton Medeiros).

No dia 30 de novembro de 1980, o Brasil perde um dos seus sambistas mais ilustres. Todavia, sua trajetória ficaria eternizada em nossos corações, como ele mesmo afirmava: “Faço samba, música para você guardar dentro de si eternamente, no seu coração, e não apenas na sua coleção de discos.”

Fredson da Rocha fredsonrocha8@hotmail.com é formado em composição e regência pela Escola de Música da UFBa, clarinetista e professor da Cidade do Saber e Casa da Criança

 
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