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Marilton Trabuco‏


BASTA!



O Caderno 2 do Jornal A Tarde, edição de 05 de julho, traz na capa a polêmica causada pelo Projeto de Lei, da autoria da deputada Luiza Maia (PT), sob o título de “Quebrança geral” a reportagem envereda pela opinião da autora do projeto e também pelo possíveis prejudicados caso a meteria seja aprovada e sancionada, assumindo o poder de “Lei Estadual”, na minha avaliação, a questão merece uma analise cuidadosa de ambas as partes, é louvável a diretiva da proposta da deputada, uma defensora contumaz dos direitos e da proteção as mulheres.


É fato que a “musica baiana” principalmente o pagode, faz uma utilização depreciativa da figura feminina, e isso fica agravado quando as perolas vem acompanhadas de coreografias que só conseguem transformar o que já é muito ruim e algo terrível. Por outro lado, essa pseudo música e suas dancinhas ridículas encontram ressonância na população, em muitos casos impulsionadas por uma máquina poderosíssima, muito conhecida no meio artístico, que atende pelo singelo nome de “Jabá” e ai entraremos em um seara muito mais complicada, mais isso é outra discussão.


Leo Kret do Brasil, define em sua fala que a medida vai “...tirar a comida da mesa de muitos músicos de origem pobre...” isso significa dizer que os “músicos pobres” só conseguem fazer musicas de “baixa qualidade”? Eu tenho certeza que isso não é verdade.


Os grandes ícones da musica baiana, em sua grande maioria vieram de origem humilde, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes, Carlinhos Brown, Tatau, Chiclete com Banana, dentre tantos. Fazem sucesso sem apelar de forma metódica para o “duplo sentido” ou mesmo para a “coreografia erotizada”.


Proibir a contratação com recursos públicos de artistas, grupos ou bandas que ofendem, incentivam a violência ou constrangem, é uma medida extrema. Mas a situação exige uma atitude contundente. Sem falsos moralismos, analisando friamente o cenário musical que nos cerca, é lamentável a quantidade de “lixo” que é executado a plena potencia por todo o Estado. Nas esquinas, nos bares, no som dos carros, no radio e ate mesmo na TV, tudo isso impulsionado pelo “Jaba”.


A situação é grave, e as medidas devem ser extremas, não é possível admitir que na Bahia, “a terra onde não se nasce, se estréia!” como a mítica da Bahia como terra da felicidade insiste em divulgar aos quatro cantos, não seja possível fazer musicas em qualquer que seja o ritmo, com qualidade, sem ofender, sem incentivar a violência, e desta forma divulgar as nossas belezas naturais, a nossa cultura, os costumes, a religião a gastronomia, os ritos, o esporte, tantos são os temas a serem abordados porque insistir apenas no libidinoso apelo erótico, e na preconceituosa visão de origem, raça, sexo, cor, idade e qualquer outra forma de discriminação.


Eu apoio a iniciativa da deputada Luiza Maia e tenho certeza que o potencial artístico da Bahia vai muito alem deste cenário pobre e aviltante que nos cerca.


Marilton Trabuco mariltontrabuco@hotmail.com é fotógrafo, roqueiro e flamenguista


 
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