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Hailton Andrade


Encadeirados



Domingo à tarde, dia de jogo na velha Fonte Nova. Clássico BaVi. Você chega junto na bilheteria, paga R$ 10 pelo ingresso e se dirige ao famoso churrasquinho de gato para entrar no clima. Aproveita e pega uma latinha de cerveja para esquentar. Passando pela revista, entra no estádio e procura um lugar. É cedo, dá tempo de se encostar no cimento (caso não seja dia de sol forte) pra descansar. O local escolhido é na geral e você compra logo uns roletes de cana e ver o tempo passar. Aparece um torcedor do time adversário e a resenha começa a rolar. Antes, durante e até depois da partida. Resultado a parte, voltarão todos em paz pra casa. 


O cenário descrito acima já era. É lembrança. As modernas praças esportivas que estão sendo construídas no Brasil por conta da Copa das Confederações 2013 e da Copa do Mundo 2014 vão acelerar esse novo jeito do fã se relacionar com o esporte. Na Bahia, por exemplo, a Arena Fonte Nova não vai fazer o torcedor viver o futebol como há alguns anos atrás. É diferente. Ruim? Melhor? Não sei. Diria apenas diferente. O juízo de valor sobre como é bom curtir uma partida de futebol deve ser feito por cada torcedor. 


Eu, particularmente, sentirei falta de como era antes. Hoje os estádios dão prioridade para as cadeiras, não para pessoas. Quem disse que todo mundo quer ver o jogo sentado? Por outro lado, o conforto é a bola da vez. Higiene é importante, serviços de qualidades também. Só que algumas tradições poderiam e devem ser mantidas. Se a arquibancada será setorizada, que tenha um setor para quem quer se misturar com torcidas rivais e façamos da Bahia o exemplo para o Brasil, mostrando que é possível manter viva a já nostálgica geral, onde tricolores e rubro-negros celebravam os deuses da bola. 


A setorização, aliás, também deve pensar nos mais humildes. Se há setores, que tenhamos lugares baratos também. A elitização do futebol, principalmente no quesito "ir ao estádio" tem que parar. Do jeito que as coisas andam, será mais barato comprar o pacote pay-per-view do que ir ver o time do coração jogar. O futebol é de todos. A bola não escolhe lado para rolar, a gente decide o rumo dela. Em campo ou não. Por favor, tirem essa cadeira daí que eu quero me encostar no cimento antes do jogo começar. 


Grêmio - Recentemente, o Grêmio inaugurou a sua própria Arena em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O estádio é moderno e foi o primeiro do tipo a ser entregue no Brasil, mas não receberá jogos das Copas dos próximos anos. A sede gaúcha será o Beira-Rio, do Internacional. Mas o que venho destacar aqui é a conservação de um "patrimônio cultural" da torcida gremista. Afinal, quem acompanha futebol conhece a famosa avalanche tricolor. 


Quando o time gaúcho marca um gol, a torcida desce as arquibancadas correndo em parte do estádio. Era assim no Olímpico, continuará sendo na Arena Grêmio. Apesar de ser encadeirado, como qualquer estádio moderno, a nova praça mantém um espaço para que aquela marca gremista não se perca no meio de cadeiras. A tradição pode parecer coisa de gente que não gosta de mudanças, mas não é isso. O novo é bem vindo, mas a origem não deve, jamais, ser esquecida. 


Hailton Andrade hailtoneto@yahoo.com.br Twitter: @hailton é repórter do portal iBahia e comentarista convidado do programa CBN Salvador Esportes, da rádio CBN Salvador (100,7 FM)


 
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