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Jeimerson Felipe


Financiamento, empr├ęstimo, e a nossa responsabilidade



Eu estou muito feliz em iniciar este espaço junto ao Camaçari Agora, e tentarei sempre ser o mais claro e resumido possível, para que possa passar meus pensamentos sem com isso ser cansativo ou confuso. Acolherei as críticas, e tentarei melhorar mais e mais. A prática nos encaminha a perfeição.


Estava eu pesquisando um pouco sobre esse tema, e muito nós acompanhamos nos sites, redes sociais e grupos de WhatsApp, quando há grande alarde quando se diz “Camaçari consegue recursos junto ao CAF” ou ainda “Prefeitura consegue créditos junto à Caixa Econômica”, e vemos comemorações de simpatizantes do governo em questão. É óbvio que quando sabemos que temos crédito disponível na praça é motivo de segurança, mas nem por isso saímos por aí contraindo dívidas loucamente (ao menos não deveríamos).


No site do Senado Federal, define-se CRÉDITO PÚBLICO, resumidamente, como “a capacidade de o governo cumprir obrigações financeiras com quem quer que seja, inclusive e principalmente com os próprios cidadãos. É a capacidade que tem os governos de obter recursos da esfera privada nacional ou de organizações internacionais, por meio de empréstimos”. Ora, saber que Camaçari tem capacidade de contrair crédito é satisfatório, mas sabemos também que não podemos comprometer o nosso futuro. Cada passo tem que ser dado com muita ponderação, aproveitando as oportunidades concedidas, desde que tais oportunidades sejam as melhores a serem aproveitadas.


Fato é que, nos últimos anos, o município de Camaçari tomou diversos créditos públicos, como os 66 milhões do DESENBAHIA, 313 milhões de reais (valor aproximado dos US$80 milhões de dólares tomados) do CAF, R$298 milhões da CAIXA e, mais recentemente, 136 milhões também da CAIXA pelo FINISA. Bom, os valores somados ultrapassam os R$ 810 milhões e correspondem a mais de 60% do orçamento do município para 01 ano. É muito dinheiro, e que sendo bem usado, pode dar a Camaçari uma nova realidade.


Ora, se há grandes alardes quanto a tomada de créditos, nada custa a nós, povo desta Cidade, refletir da forma mais franca possívelr:



  1. Nós, cidadãos, sabemos o que será feito com todo este dinheiro?

  2. Quais são, realmente, as obras e melhorias prometidas?

  3. Acaso, sabem quanto custará cada uma das ações?

  4. Você, cidadão, foi ouvido antes do município assumir este compromisso?

  5. Acha que o dinheiro poderia ser melhor utilizado?

  6. Você sabe como pagaremos esta dívida gigantesca?


Vamos refletir então: os Bancos receberam as informações sobre o que será feito com os recursos concedidos? Creio que sim. Os Bancos receberam de Camaçari as garantias para que eles recebam de volta o dinheiro investido? Obviamente sim. Sabemos, na sabedoria popular, que “banco não perde nada pra ninguém”. Tenhamos certeza disto.


Não quero aqui pôr em dúvida a índole de ninguém, e sim provocar o sentimento público de todos, deixar esta preocupação na cabeça de cada um.


Assim sendo, não nos esqueçamos: 800 milhões de reais não são pagos como em um passe de mágica, tampouco podem ser gastos sem uma devida reflexão quanto a nossa responsabilidade. Podemos estar comprometendo às futuras gerações, deixando um legado desastroso, e sequer sabemos de fato o que será feito. Não sabemos sequer se os serviços públicos básicos podem ser comprometidos. Precisamos de clareza, de informação franca, e não de propagandas clichês. Se um filho nos pedir mesmo que R$10, queremos saber pra quê. Então, seria diferente, ou melhor, seria ainda mais grave saber de tudo isso?


Diante disto, e possivelmente não sabendo o que será feito com tanto dinheiro e nem como pagaremos esta dívida, vêm algumas perguntas:



  1. Você confia, de olhos fechados, que a gestão contraia e utilize tais recursos?

  2. Você está seguro que teremos um bom futuro depois disso?

  3. Você faria a mesma coisa com seu dinheiro?

  4. Confiaria em um terceiro, sem que haja clareza, na gestão de seu esforço e riqueza?

  5. Você está vendo na cidade, fora nas propagandas e em capas de revista, tais investimentos?

  6. É motivo de comemorar, ou é motivo de olhar tudo com mais cuidado, e cobrar a quem interessar possa que se discuta e que preste contas?


Bom, perguntar não ofende. Pensar não dói. Conversar não arranca pedaço. Então, PARE E PENSE!


Jeimerson Felipe jeimersonfelipe@gmail.com é formado em  ciências contábeis e é servidor da Superintendência de Trânsito e Transportes de Camaçari


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor


 
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