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Adelmo Borges


Perfil da juventude brasileira



Estudo realizado pelo Projeto Sonho Brasileiro oferece dados importantes para se refletir sobre a realidade e perspectiva da população jovem brasileira. Uma das formas de se entender as particularidades de uma geração é compará-la com as gerações anteriores. Somente a partir de uma perspectiva histórica é que é possível compreender seus traços mais distintivos, que não estavam presentes em nenhuma outra.


Para a análise, realizou-se um estudo semiótico para desenhar uma trajetória de mudança das representações de gerações jovens brasileiras desde os anos 50. Para o estudo foram mapeados conteúdos que cristalizaram a cultura e linguagens de cada época, como capas de revista, cartazes, livros, filmes, notícias, anúncios, entre outros. Mesmo que esses valores e comportamentos retratados não tenham sido adotados por toda a geração, eles formam tão fortes e relevantes, que ficaram marcados como representativas de cada uma dessas fases.


Como centro primário de influência se optou por analisar os jovens entre 18 a 24 anos, porque ali surgem diversos novos comportamentos que impactam outros grupos etários. O jovem nesta faixa etária já tem certa independência financeira e ao mesmo tempo ainda é muito livre e experimental em seu comportamento. Seu estilo de vida acaba impactando os mais velhos e os mais jovens: enquanto os mais jovens aspiram ser como eles, os mais velhos se inspiram em seus valores e comportamentos. Muitos movimentos nascidos nessa faixa acabam se cristalizando como imagens características da geração jovem de um determinado período. Assim aconteceu com os hippies da década de 60 ou os punks da década de 80. Por isso consideramos os jovens de 18 a 24 anos uma poderosa “antena” para se captar o espírito de um determinado tempo.


Nos anos 60, o Brasil experimenta um período otimista (50 anos em 5), relativamente estável, anterior ao golpe militar. Chegada no Brasil dos primeiros movimentos de contracultura e transformação social (Rock e Geração Beatnik), Efervescência estético- cultural (Tropicalismo, Jovem-Guarda, Cinema Novo).  A Geração jovem é Bastante influenciada por movimentos de contracultura, os jovens buscam ampliar sua liberdade de escolha e expressão. Para isso, precisam confrontar os padrões sociais mais tradicionais da sociedade, revolucionar os costumes. É a partir da sua conduta individual que enfrentam os moralismos da sociedade. A grande mudança se dá primeiramente no âmbito individual (“eu”) e depois se espalha para a sociedade. Sonhos idealizados marcam o período.


A geração dos anos 70 se defronta com a ditadura e a repressão militar e entram em sua pior fase com o ato institucional nº5. A censura e as torturas chegam ao auge. Como resposta, as manifestações políticas, artísticas e as passeatas em oposição ao regime intensificam-se. Os movimentos estudantis ganham protagonismo na cena política nacional.


Os jovens, muito influenciada pela ideologia das revoluções socialistas, de ‘Maio de 68’ (Europa) e da luta armada contra ditaduras latino-americanas, são movidos por um forte idealismo, posturas ideológicas fechadas, crença no confronto direto. Muitos aderem à luta armada, choques violentos contra o sistema, são reprimidos, torturados. Valorização de mártires e do sacrifício pelo coletivo. Os sonhos são grandiosos e contemplam um mundo radicalmente diferente após a revolução.


A Geração 1980/1990 presencia a declaração da anistia, o fim da censura e os exilados políticos retornam ao país. Início do processo de redemocratização: Diretas Já (1983-1984), Constituinte (1988) e Impeachment de Collor (1992) tornam-se os grandes ícones desse processo. Os movimentos estudantis perdem seu protagonismo na vida política do país. No âmbito econômico, o país passa por sucessivas crises, a inflação bate recordes históricos, os brasileiros têm suas poupanças confiscadas durante o Governo Collor e a estabilidade só chega a partir de 1994, com o Plano Real.


Os jovens buscam novas formas de expressão e dividem-se em inúmeros novos grupos urbanos (não mais necessariamente conectados com idéias político-partidários ou revolucionários). Ganha muita força a influência norte-americana e a ideologia ‘Yuppie’ - notadamente individualista imediatista e competitiva. As representações jovens do período estão muito associadas a êxito profissional, consumo, sonhos de sucesso e enriquecimento rápidos.


Já em 2000/2010 Período de estabilidade política e desenvolvimento econômico. O Brasil ganha cada vez mais importância no mundo: BRIC, superação de crises, diplomacia internacional, sede da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016. A partir de 2001, o Fórum Mundial Social acontece em Porto Alegre como alternativa ao Fórum Econômico de Davos (Suíça) e consolidasse como espaço para discussão de questões sociais, alternativo às vias econômicas tradicionais. Maior acesso a informações e dados públicos evidencia escândalos de corrupção no país. Multiplicam o número de ONGs e de vozes alternativas à política institucional.


Primeira geração global brasileira já cresce conectada e integrada ao mundo a partir da internet e das redes sociais. Após o excesso de individualismo e o risco de escassez de recursos naturais das últimas décadas, discursos mais conscientes, responsáveis e sustentáveis ganham força. Atuação coletiva não é mais retratada necessariamente a partir dos modelos revolucionários e político-institucionais. Jovens aderem a novas formas de reivindicação e novas bandeiras. Nascidos num país já estável e com mais ferramentas de ação à sua disposição, muitos jovens partem para a ação dentro de suas possibilidades, não esperando mais necessariamente que alguém faça por eles.


Este jovem quer conhecer e criar pontes entre realidades diferentes das suas, pois entende que esse conhecimento do outro é importante para sua própria evolução e para a evolução do pensamento coletivo.


TRANSMITE IDEIAS E CONHECIMENTO DE FORMA TRANSVERSAL


O jovem-ponte acredita na diversidade e multiplicidade de idéias, apostando na troca como forma de integrar diferentes pensamentos e criar identificação de diferentes grupos com assuntos coletivos.


ATUA EM PROJETOS MÚLTIPLOS E INDEPENDENTES


A possibilidade de ativar redes por afinidade cria novas formas de ação, como os projetos independentes. Eles facilitam a adesão e o trânsito entre diferentes projetos, gerando uma participação mais leve, interdisciplinar e múltipla.


ABRE O DIÁLOGO SOBRE OS PRECONCEITOS E AS DIFERENÇAS


O jovem-ponte não aceita os discursos que velam o preconceito. As pontes também devem ser feitas entre quem é diferente; seja entre centro e periferia, entre diferentes regiões do Brasil, etnias, orientação sexual, até mesmo entre instituições e disciplinas, estes jovens vêem o diálogo como uma ferramenta importante para a construção destas novas pontes.


BUSCA RELEVÂNCIA SOCIAL ATRAVÉS DO TRABALHO


O jovem-ponte adiciona uma nova dimensão ao trabalho, além da felicidade e realização pessoal. Quer também fazer diferença na sociedade através da sua profissão. Querem encontrar uma forma de integrar o trabalho às outras dimensões de sua vida voltadas para o coletivo.


ABREM A POSSIBILIDADE DE FAZER POLÍTICA COTIDIANAMENTE


A política partidária e institucionalizada não representa este jovem. Ele vê muito mais sentido em agir politicamente no seu dia-a-dia. Seja através do consumo, escolhendo de quem vai comprar os produtos, ou através de atitudes mais proativas, como a participação em ferramentas digitais, o jovem-ponte entende que seu papel político está ligado às suas ações cotidianas.


CONSTROI UM NOVO TIPO DE PARTICIPAÇÃO COLETIVA


A participação cidadã ganha novos significados a partir do jovem-ponte. Com sua atitude que conecta e promove a troca, somada ao seu otimismo pragmático, estes jovens querem participar como cidadãos da construção do novo Brasil.


Jovens transformadores mostram-se especialmente conectados a algumas novas maneiras de pensar, agir e se localizar no mundo.


Ao responderem a essas novas configurações globais, expressam alguns parâmetros necessários para a compreensão de formas de participação coletiva em que acreditam e que se enxergam adotando uma nova maneira de PENSAR o mundo.


Mundo não bi-polarizado


Mentalidade de integração e não de segregação ou choque


Idéias e conceitos abertos, flexíveis, múltiplos


Cultura do diálogo


Religião de saberes


Criação coletiva


Em todos os campos da vida social, os jovens não enxergam a necessidade de destruir o que existia para poder construir algo novo. Acreditam sempre ser possível compor com as bases já existentes na sociedade - venham elas de gerações anteriores, de sistemas já estabelecidos ou de visões de mundo distintas da sua. “Bater de frente" não é inteligente. Jovens acreditam mais em articulações colaborativas, pacíficas e simbólicas do que em conflitos, choques ou violência.


Adelmo Borges adelmobs@terra.com.br é vice-presidente do PT de Camaçari e membro do Movimento Alternativa Socialista


 
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