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Nova Mataripe, o avesso de Pasadena


Paulo Ormindo é arquiteto, professor titular aposentado da UFBA e membro da ALB, IAB e da ABI

Em 2006, o economista José Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras, visando a venda do petróleo do pré-sal no mercado americano, decidiu comprar 50% de uma pequena refinaria dos belgas - que não tinham petróleo - em Pasadena, Texas. O plano da Petrobrás previa explorar, no futuro, o petróleo do Golfo do México, mais próximo, com a tecnologia da empresa em águas profundas.


A compra da refinaria foi no valor de US$ 360 milhões, mas com suspeita de superfaturamento. Por uma falha do contrato, a justiça americana obrigou a Petrobrás a comprar a outra metade por US$ 658 milhões, elevando a transação para US$1,18 bilhões, o que virou um escândalo nacional. Esse episódio e outras alegações custaram o mandato da presidente Dilma. Os americanos deflagraram uma campanha para acabar com a concorrência e a refinaria foi comprada pela Chevron (ESSO) por apenas US$ 467 milhões.


Qual a semelhança de Pasadena com Mataripe? A Mubadala Capital que adquiriu, pela metade do preço da avaliação, a RLAN - que possui 26 unidades produzindo 31 derivados e 201 tanques de armazenamento - pertence a um fundo soberano estatal dos Emirados Árabes Unidos, cujos recursos provêm da exportação de petróleo, que no Oriente Médio é extraído praticamente à flor da terra. O que pretende Abu Dhabi? Fazer o mesmo que pretendeu Gabrielli. Ou seja, exportar o seu petróleo para ser transformado em gasolina, óleo diesel e outros derivados, no país em que tem refinaria. Os americanos reagiram à pretensão da Petrobrás, aqui nós recebemos de braços abertos a Mubadala/Acelen.  


Apesar de termos uma das maiores reservas de petróleo do mundo, vamos importar petróleo dos Emirados Árabes comprometendo ainda mais nosso balanço de pagamentos. A atual direção da Petrobrás deu um tiro no pé e ainda se comprometeu a absorver todos os funcionários que a Mubadala botar para fora. Com a venda também dos poços em terra firme, a Petrobrás se retira da Bahia, onde iniciou sua atuação, e era responsável por 20% do ICMS do Estado. 


E tem mais, a Acelen vai ter o monopólio do mercado de petróleo e gás do Nordeste, pois recebeu, como cortesia, o Temadre e uma extensa rede de gasodutos e oleodutos na região. Será muito difícil qualquer outra refinaria do sul ou do norte, nacional ou estrangeira, competir com a Acelen no Nordeste. É o capitalismo sem concorrência, o neoliberalismo dos Chicago Boys, das décadas de 70 e 80 no Chile, que acabam de ser derrotados.  


O suposto aumento da lucratividade da Petrobrás resultou, na verdade, do fatiamento da empresa com a venda da Distribuidora BR, da Refinaria de Mataripe e de campos de petróleo do pré-sal. É o que Guedes chama metaforicamente de política de desinvestimento, ou seja, a sua alienação a preço vil, face ao desprestígio internacional do Brasil, e do aumento da dependência nacional.


Paulo Ormindo de Azevedo pauloormindo@gmail.com  é arquiteto, professor titular aposentado da UFBA e membro da Academia de Letras da Bahia, do Instituto dos Arquitetos do Brasil e da Associação Bahiana de Imprensa  


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

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