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Presidente quer fim da máscara para vacinados e ex-contaminados


 O presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para que seja preparado um parecer desobrigando pessoas vacinadas ou que já tenham sido contaminadas a usarem máscaras. A medida sugerida pelo presidente é contrária a orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). A  infomação foi dada pelo próprio presidente, nesta quinta-feira (10), durante evento sobre turismo no Palácio do Planalto, em Brasília. Ele foi aplaudido pelos presentes ao anunciar a medida.


"Acabei de conversar com um tal de Queiroga. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscaras por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar este símbolo (segurando uma máscara descartável na mão) que tem a sua utilidade para quem está infectado", disse Bolsonaro .


No evento desta quinta-feira, Bolsonaro não detalhou se o parecer solicitado ao Ministério da Saúde seria apenas recomendação ou se pretende propor uma nova legislação a respeito do tema, o que necessitaria de aval do Congresso.


O presidente usava a proteção ao chegar ao evento, mas a retirou ao iniciar o discurso. No mesmo evento, o presidente repetiu as críticas ao protocolo do Ministério da Saúde que orienta pessoas contaminadas a ficarem em casa. "Não aquele ´fica em casa todo mundo`. A quarentena é para quem está infectado. Não é para todo mundo, porque isso destrói empregos", afirmou.


No total, o Brasil registrou 477.307 mortos pela covid-19 e 17.038.503 casos da doença, a segunda nação com mais registros, atrás apenas dos Estados Unidos. Até esta quarta-feira, 9, 23.418.325 haviam recebido duas doses de vacina, o que representa 11,06% da população com a imunização completa contra o novo coronavírus.


A obrigatoriedade do uso de máscara em locais públicos, como comércios, escolas e igrejas, foi aprovada no ano passado pelo Congresso. Bolsonaro chegou a vetar a lei, mas os parlamentares derrubaram o veto. Em alguns Estados, como São Paulo, a pessoa que for pega sem a proteção poderá ser multada.


Ao assumir o cargo, em março deste ano, Queiroga adotou um discurso que vai na contramão do presidente. Em uma de suas primeiras entrevistas como ministro, o médico cardiologistas defendeu o uso da proteção e disse que seu objetivo era tornar o Brasil "a pátria de máscaras".  “Na época da Copa do Mundo, a nação se une, se chama ‘pátria de chuteira’. Agora é ‘pátria de máscara’. É um pedido que faço a cada um dos brasileiros: usem a máscara”, disse o ministro no dia 23 de março. 


Ao depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, na terça-feira, Queiroga foi questionado sobre o fato de o presidente promover diversas aglomerações durante a pandemia e se recusar a usar máscaras em locais públicos, contrariando recomendações da sua pasta. Incomodado com a pergunta, respondeu: "Não sou censor do presidente".


Em nota, o Ministério da Saúde disse ter recebido o pedido para "estudo" demandado pelo presidente. "O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou há pouco que recebeu o pedido do presidente da República, Jair Bolsonaro, para produzir um estudo que trate da flexibilização do uso de máscaras, conforme o avanço da vacinação no país." 


Em vídeo postado à noite no Twitter, Queiroga disse que o presidente acompanha o cenário internacional e "vê que em outros países onde a campanha de vacinação está avançada as pessoas já estão flexibilizando o uso das máscaras". "O presidente me pediu que fizesse um estudo para avaliar a situação aqui no Brasil. Vamos atender essa demanda do presidente Bolsonaro, que está sempre preocupado com pesquisas em relação à covid."


Em entrevista à CNN Brasil, Queiroga disse não haver prazo para que o estudo seja concluído. "Queremos que seja o mais rápido possível. Para isso precisamos vacinar a população brasileira e avançar", afirmou.


Questionado se foi pressionado pelo presidente a adotar a medida, o ministro negou. "O presidente não me pressiona. Eu sou ministro dele e trabalhamos em absoluta sintonia, é assim que funciona as democracias nos regimes presidencialistas. O presidente sempre nos aconselha de maneria muito própria e eu levo a ele os subsídios em relação à saúde pública." Estadão 

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