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O jogo, o drible e o gol



Domingo, 6 de novembro de 2011. Encerramento da conferência municipal do PT. Apesar dos sorrisos e abraços, o clima era de velório para a Democracia Socialista (DS), grupo do deputado estadual Bira Coroa, obrigado a recuar da sua pretensão de disputar a pré-candidatura a prefeito de Camaçari. Do outro lado, o esquema do prefeito Caetano consolida sua hegemonia com a imposição do seu secretário de Relações Institucionais, Ademar Delgado.


O senador Walter Pinheiro, um dos líderes da DS e até a semana anterior, fiador da candidatura Bira, o presidente estadual da legenda, Jonas Paulo, os deputados federais Josias Gomes, Nelson Pelegrino e Rui Costa, a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, o prefeito Caetano, a deputada Luiza Maia, o candidato oficial, Ademar e o desistente Bira formam a mesa com a fina constelação do petismo baiano.


Com vencedor conhecido, a militância estava mais interessada no destino da dupla Ba-Vi. A bandeira do tricolor, que seguia confirmando sua manutenção na elite do futebol brasileiro, já tinha lugar de destaque sobre o pomposo granito do Legislativo. O rubro-negro continuava no caminho da segundona e sem espaço na mesa.


O senador Pinheiro começa a discursar. Em menos de 2 minutos é interrompido por uma gritaria misturada a aplausos e vaias. Nada a ver com o conteúdo da fala. O triplo estopim tinha nome e endereço. Era Luis Saback, conhecido pelo seu destempero e aversão às regras de cerimonial. Sem tomar conhecimento de que falava um senador da República, um dos principais líderes do seu partido na Bahia e torcedor do Bahêa, o petista rubro-negro resolve, em meio ao discurso do sisudo Pinheiro, equilibrar a ‘partida’ com a colocação de uma bandeira do Vitória do outro lado da mesa diretora.


Sem alternativa, Pinheiro aguarda pacientemente a 'manifestação' das torcidas que lotavam o plenário. Hábil e consciente de que não poderia passar atestado naquele ‘jogo’  desfavorável, refaz o ‘uniforme’ do discurso e lembra que o time do PT está unido e vai ganhar o jogo. Os tricolores e rubro-negros petistas aplaudem e Pinheiro sai com a sensação de ter feito um belo gol.


Há quem acredite que a ‘invasão de campo’ foi um mero acaso de torcedor apaixonado. Já outros observadores do 'jogo' em Camaçari e suas implicações na 'copa' de 2014 garantem ser difícil a coincidência quando futebol e política estão no mesmo ‘  gramado’.


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