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A Ford disse adeus - tragédia anunciada ?


Diego Silva é economista e servidor público do ISSM-Camaçari e autor da Cartilha de educação financeira

A economia de Camaçari acordou com a sensação de menor abandonado. A Ford era uma das principais forças motoras que impulsionava o setor industrial da cidade.  Geração de empregos diretos e indiretos, a mesma contribuía para o impacto multiplicador no nível de renda do munícipio. De um lado, o polo petroquímico. Do outro, a Ford. Mas ela resolveu fechar tudo e abandonar um dos lados: vou embora.


A tragédia era anunciada? Vejamos. Segundo o blog de economia e finanças de Paulo Gala, o faturamento líquido do setor de automobilísticos do Brasil foi de US$ 54 bilhões de dólares em 2018. Achou muito? Acontece que esse faturamento era metade do que a indústria automobilística no país faturou em 2011: U$ 93,5 bilhões. Ou seja, o faturamento do setor teve um declínio entre 40-50% em relação ao pico de 2011, conforme dados da Associação Nacional de Veículos Automotores - Anfavea.


Ainda no mesmo blog, houve taxas negativas de crescimento do setor automotivo do país entre 2014-2016. Do número total de veículos produzidos, saiu de 3.738.448 unidades em 2013, para 2.195.712 em 2016. 88,7% da produção de carros era destinada ao mercado interno. Mesmo com o crescimento de 35,5% , de acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, foi muito aquém do auge do crescimento do setor.


Esse aquém se reflete quando me reporto ao anuário da própria montadora Ford, disponível em seu site. Dos dados de 2019, as vendas anuais por atacado do continente sul americano (donde a Ford operava no Brasil, Argentina e Uruguai) totalizaram quase 300 mil unidades. É pouco? Não, mas se comparado à montadora Ford na Alemanha, donde o país tem concorrente direto (a Mercedes-Benz), conseguiu vender 28 mil unidades a mais no atacado em relação ao continente sul americano. 


De certa forma, isso pesou (e muito) na decisão de descontinuidade planejada pela montadora norte-americana, de acordo com relatório presente no anuário. Sobrou para o Brasil, para a Bahia e, principalmente, Camaçari.


Lamento muito o acontecido. Mas é o meu papel apontar as circunstâncias conjunturais que levaram à essa tragédia anunciada. Aproveito para saudar os trabalhadores da Ford, que dedicaram 20 anos da sua força de trabalho, contribuindo para a economia da cidade. À eles, dias melhores virão.


Diego Silva diego.souza@camacari.ba.gov.br é economista e servidor público do Instituto de Seguridade do Servidor Municipal de Camaçari - ISSM. Autor da "cartilha de educação financeira".


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

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