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Quem liga para o sofrimento dos animais


Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista

Não é de se acreditar que ainda neste século XXI que os iluministas vislumbravam como um futuro utópico de grandes realizações e evolução dos sentimentos, ainda tenha quem faça gente e animais virem a sofrer. Foi chocante a notícia de apreensão de 90 galos treinados para brigar, em uma rinha na Bahia. Os galos não puderam ser “ressocializados” e não se tinha onde coloca-los em proteção. Os galos foram abatidos depois de decisão judicial. Saíram da rinha para uma indústria de processamento. Sumiram do mapa.


Sequer puderam servir como alimentos para os famélicos, pois com suas almas sujas os donos dos galos haviam entupido as aves com hormônios, antibióticos, bombas e sabe-se lá mais o quê. Neste caso embora dolorido, a morte dos pobres galos pelo menos serviu para livrá-los de uma vida de sofrimento em mãos de pessoas cruéis, desalmadas (falei lá em cima em almas?) e doentes da cabeça. Pois somente sendo débil para não sentir o sofrimento dos animais, sejam galos, cães, cavalos, gatos ou pássaros... todos. Os galos estavam muito feridos.


Existem teses de que a violência e a tortura de animais revelam um real desvio de personalidade e que a questão está atrelada à violência social.  É íntima, dizem especialistas, a relação entre a criminalidade e os maus-tratos aos animais. Uma autora norte-americana, que não cito o nome por ter simplesmente esquecido e não achei, e peço desculpas -, depois de anos de pesquisa junto ao FBI constatou que 80% dos assassinos começaram torturando animais.


O homem coexiste desde sempre com os animais, notadamente com os cães. Com esses são mais de 20 mil anos. Os animais têm seus direitos assegurados em declaração universal desde a terceira quadra do século passado. Mas as pessoas doentes – e sabemos que são de todas as classes sociais e variados níveis de informações – insistem nos maus tratos. Baianos inteligentes e intelectualmente bem posicionados, criativos até – que prefiro não citar nomes – foram detidos anos passados numa rinha de galos na Boca do Rio.


Em quase todos os municípios são realizadas vaquejadas, rodeios, touradas. Briga de galo. Briga de cães. Briga de pássaros. Engraçado e gratificante para o público, o espectador. Gratificante em termos de lucros para os realizadores. Gratificante em termos de valorização social para os criadores e produtores. Uma vergonha a frieza de todos. Um tom negativo para a humanidade.


Nossa Constituição tem um artigo de número 225 que observa e declara em relação aos animais que: “Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para os presentes e futuras gerações.


As rinhas, as touradas, as vaquejadas, os sacrifícios, os jogos, as apostas – mesmo sob a égide de patrimônio cultural – deixam mesmo é aflorar os instintos violentos dos indivíduos. Desvio de personalidade. Perversão. Lembrar é bom que os psicopatas agem em relação às criaturas frágeis. Pois, neste século futurâmico, humanos, desumanos; todos os seres viventes, orgânicos, cientes e sencientes vivem mesmo é uma distopia.


Jolivaldo Freitas jolivaldo.freitas@yahoo.com.br é escritor e jornalista


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

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