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MP vê indícios de que filho de Bolsonaro 'lavou dinheiro'


Promotores acreditam no enriquecimento ilícito do ex-deputado e hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)

O Ministério Público do Rio identificou indícios de lavagem de dinheiro nas transações imobiliárias feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) durante seu mandato como deputado na Assembleia Legislativa fluminense (Alerj). Segundo a Promotoria, o parlamentar lucrou R$ 3,08 milhões com compra e venda de imóveis entre 2010 e 2017, quando adquiriu 19 apartamentos e salas comerciais pelo valor de R$ 9,4 milhões. 


As suspeitas embasam o pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de 95 pessoas e empresas feito pelo MP e deferido no fim de abril pelo juiz da 27.ª Vara Criminal do Rio, Flávio Nicolau. No documento os promotores listam todas as transações imobiliárias feitas por Flávio Bolsonaro nos últimos 10 anos e concluem que há “indícios de subfaturamento nas compras e superfaturamento nas vendas” e “constante uso de recursos em espécie nos pagamentos”.


Para os investigadores, os valores podem ter sido “fraudados” pelo senador com o objetivo de “simular ganhos de capital fictícios para encobrir o enriquecimento ilícito decorrente dos desvios de recursos da Alerj”. Como exemplo, os promotores citam a compra e venda de dois apartamentos em Copacabana entre 2012 e 2014 nos quais Flávio obteve lucro de R$ 813 mil, ou quase 300%, em pouco mais de um ano. Há negócios sob suspeita que foram feitos com uma empresa com sede no Panamá, paraíso fiscal.  


No documento de 87 páginas, o MP relata o histórico de investigação envolvendo Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz desde 2018, a partir de movimentações financeiras atípicas apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Diz haver indícios de uma “organização criminosa com alto grau de permanência e estabilidade” no gabinete de Flávio na Alerj, voltada para cometer crimes de peculato (desvio de dinheiro público).


O grupo, segundo a Promotoria, agiria desde 2007 e seria dividida em três núcleos “hierarquicamente compartimentados”. O primeiro nomeava, para cargos de confiança, pessoas para repassar parte dos vencimentos. O segundo recolhia e distribuía o dinheiro. E o terceiro era formado pelos nomeados, que repassariam parte dos salários aos superiores. 


O Ministério Público não considerou ser crível a versão dada por Flávio à imprensa de que Queiroz agiu sozinho e sem conhecimento dele na arrecadação de parte do salário dos funcionários do gabinete, prática conhecida como “rachadinha”, “rachid”, ou “esquema dos gafanhotos”. Também considerou frágil a defesa apresentada pelo ex-assessor, que alegou recolher os salários para redistribuí-los e contratar mais assessores externos, sem conhecimento do então deputado.


O Grupo de Atuação Especializada e Combate à Corrupção requisitou ao Banco Itaú imagens do sistema de vigilância das agências bancárias onde foram realizados saques e depósitos em espécie em contas bancárias do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz e do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), além de outros assessores do político na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).


O pedido foi baseado em três relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre os saques e depósitos do ex-assessor – detectados pelo setor de compliance do banco – e sobre 48 depósitos de R$ 2 mil em espécie recebidos por Flávio entre junho e julho de 2017. O parlamentar alega terem sido parcelas do pagamento da venda de um imóvel. Estadão 

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